As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Exterior se retrai antes da hora da verdade com PIB dos EUA

30 de julho de 2010 | 09h09

Chegou a hora da verdade para a economia dos Estados Unidos. O PIB do segundo trimestre, que sai logo mais às 9h30, é considerado fundamental para calibrar as expectativas dos investidores. A desaceleração da atividade norte-americana passou a ser o principal tema dos mercados, especialmente agora que o incêndio na Europa foi apagado.

A espera pelos números vem com o típico posicionamento de prevenção. Os investidores vendem ativos de risco agora cedo e aguardam os dados para então encarar uma estratégia mais definitiva. Dessa forma, as bolsas europeias, o euro e o petróleo cedem.

O consenso das projeções aponta para crescimento de 2,5% da economia dos EUA no período, pouco menos do que o avanço de 2,7% no primeiro trimestre, em termos anualizados. Os últimos indicadores e a postura cautelosa do Federal Reserve reforçaram os temores de que a atividade norte-americana está desacelerando, daí a ansiedade para as informações de hoje.

Ontem, mais um alerta foi dado pelo presidente do Fed de St Louis, James Bullard, de que os EUA correm o risco de cair em uma “armadilha de deflação” semelhante à do Japão – que, aliás, registrou queda de 1% na inflação ao consumidor em junho, além da primeira retração da produção industrial em quatro meses, de 1,5%.

Economistas seguem dizendo que não esperam um novo mergulho recessivo – nem nos EUA, nem na Europa -, como chega a ser temido pelos mercados. Mas, é predominante a avaliação de que o crescimento deve ficar mais lento daqui para frente.

O ING acredita que o avanço econômico dos EUA atingiu o pico no segundo trimestre. Acima do consenso, o banco projeta avanço de 2,9% para o período, puxado pelo consumo. “Infelizmente, duvidamos que o crescimento nos próximos trimestres será tão robusto”, avalia o economista James Knightley.

Ele nota que a confiança do consumidor tem caído substancialmente e já está consistente com gastos estáveis, enquanto os dados sobre novas encomendas também levantam dúvidas a respeito da resistência dos investimentos.

O que tem realmente segurado o ânimo são os balanços. A temporada cumpre a expectativa de números corporativos favoráveis. Os analistas Robert Parkes e Garry Evans, do HSBC, acreditam que a safra coloca em questionamento o temor de nova recessão no exterior. Em relatório, eles dizem que a geração de caixa das empresas deve ser usada para o pagamento de dividendos, recompra de ações, fusões, aquisições e investimentos, o que dará suporte aos preços dos papéis.

Às 9h09 (de Brasília), as bolsas de Londres (-0,70%), Paris (-0,55%) e Frankfurt (-0,58%) recuavam, junto com o petróleo (-0,74%, a US$ 77,78 o barril).

O euro cedia a US$ 1,3028. O dólar era cotado a 86,41 ienes, de 86,96 ienes.

Tudo o que sabemos sobre:

PIB; EUA

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.