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Exterior teme alastramento de conflitos e petróleo vai às alturas

22 de fevereiro de 2011 | 08h57

A resposta violenta da Líbia aos protestos contra o coronel Muamar Kadafi aumenta a tensão geopolítica na região e a aversão ao risco nos mercados financeiros globais. Cresce a percepção de que a revolta da população contra as ditaduras poderá se espalhar por outros produtores de petróleo, o que leva a commodity às alturas.
 
Os investidores internacionais fogem do risco de maneira generalizada e correm para os ativos considerados mais seguros, como o ouro e o iene.
 
“As manifestações e o derramamento de sangue em países como a Líbia e o Bahrein sugerem que a agitação pode se alastrar para outras nações produtoras de petróleo, como o Irã, Argélia ou, mais preocupante para os mercados, para a Arábia Saudita”, disse Charles Robertson, economista-chefe global da Renaissance Capital.
 
Ele acredita que, se a democracia emergir nos produtores de petróleo, eles poderão caminhar para os perfis existentes hoje no México e no Canadá. No entanto, a falta de uma oposição estruturada sugere a possibilidade de “revoluções teológicas”. “Há muito em jogo para a população no norte da África e no Oriente Médio.”
 
Com produção de 1,6 milhão de barris por dia, a Líbia possui as maiores reservas provadas de petróleo da África e responde por 1,8% da produção global. Enquanto empresas suspendem negócios no país, a Opep diz que está preparada para elevar a oferta da commodity, se necessário.
 
“Isso se outros países da Opep também não sofrerem interrupções”, anota o economista Paul Donovan, do UBS. “Os desdobramentos na Líbia aumentam o risco de que a instabilidade possa se espalhar para produtores no Oriente Médio”, acredita Lee Hardman, economista do Bank of Tokyo-Mitsubishi.
 
O Dankse Bank prevê que um aumento da produção pela Opep não será suficiente para segurar os preços do petróleo, hoje descolados dos fundamentos e atrelados ao risco geopolítico. Pelos cálculos do banco, o atual preço justo para o tipo Brent é de US$ 90,00, portanto os investidores estão embutindo um prêmio de cerca de US$ 15,00 em razão dos conflitos.
 
A violência ontem na Líbia gerou pressão internacional contra Kadafi e o Conselho de Segurança da ONU se reunirá hoje para tratar do assunto. Houve relatos de que aviões militares e mercenários contratados pelo governo dispararam contra os opositores, deixando centenas de mortos.
 
Diplomatas e o ministro da Justiça da Líbia, Mustapha Abdeljalil, renunciaram aos cargos em protesto contra “o uso excessivo de força”. Dois coronéis da Força Aérea desertaram após se negarem a bombardear manifestantes pró-democracia e fugiram para Malta.
 
Fechados pelo feriado do Dia do Presidente ontem, os mercados em Nova York reabrem hoje sob tensão e devem deixar de lado a agenda de indicadores – que traz o índice de preços de moradias da S&P/CaseShiller (às 11 horas, de Brasília) e a confiança do consumidor da Conference Board em fevereiro (às 12h).
 
Nesse ambiente, os investidores também ignoram a decisão da Moody´s de reduzir a perspectiva da nota da dívida do Japão, de “estável” para “negativa”, e rumam para o iene em busca de proteção. Às 8h52, o dólar caía para 82,95 ienes, de 83,14 ienes no final da tarde de ontem. O euro subia 0,49%, para US$ 1,3658.
 
O petróleo WTI disparava 8,02%, para US$ 93,11 na Nymex, enquanto o Brent avançava 1,06%, para US$ 106,88 em Londres.
 
No mesmo horário (acima), as bolsas de Londres (-1,10%), Paris (-1,54%) e Frankfurt (-0,39%) cediam.

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