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Fantasma do subprime e vulcão na Europa espalham tensão no exterior

19 de abril de 2010 | 09h50

Ninguém poderia imaginar que o ressurgimento do fantasma do subprime e a erupção de um vulcão na Islândia se tornariam as principais preocupações dos investidores internacionais neste início de semana. A acusação contra o Goldman Sachs e a interrupção dos voos na Europa entram como novos fatores no cenário e
pesam sobre os mercados, espalhando tensão.
 
Neste momento, fica de lado o otimismo com a velocidade da recuperação econômica global. Aliás, o crescimento acelerado da China passa a representar cautela, pois o governo adotou novas medidas durante o final de semana para segurar a expansão desenfreada do crédito imobiliário.
 
O objetivo é limitar a quantidade de propriedades que cada investidor pode comprar. O governo chinês quer que os bancos parem de conceder empréstimos para a aquisição da terceira moradia. As medidas fizeram a Bolsa de Xangai desabar 4,79% hoje.
 
Além dos percalços novos, os mercados também lidam com os já conhecidos. As negociações entre a Grécia, União Europeia e Fundo Monetário Internacional (FMI) devem caminhar nesta semana. O fechamento do espaço aéreo europeu adiou a chegada dos técnicos do fundo a Atenas, agora esperada para quarta-feira.
 
O impacto econômico da erupção do vulcão na Islândia já passa a preocupar os investidores. Mais de 60 mil voos foram cancelados desde a semana passada e ainda não existe estimativa sobre a normalização dos aeroportos. As ações das companhias aéreas recuam forte hoje na Europa.
 
A investigação da Securities and Exchange Commission (SEC), a CVM dos EUA, sobre o Goldman Sachs também traz incertezas. Já desde sexta-feira os mercados reagem à denúncia de que o banco teria omitido informações importantes sobre um produto financeiro ligado a hipotecas subprime quando o mercado de moradia dos EUA estava começando a apresentar problemas.
 
A acusação é mais um golpe sobre a já bastante abalada credibilidade do sistema financeiro. A questão é saber agora se este é um caso isolado ou se outros bancos teriam adotado o mesmo esquema. Na Europa, o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, já partiu para o ataque e pediu que o órgão regulador britânico lance sua própria investigação sobre o Goldman Sachs.
 
O tema do subprime é extremamente sensível porque representou o centro de toda a crise financeira global. É claro que o comportamento dos mercados daqui para frente dependerá do exato tamanho dos problemas. Por enquanto, não é possível delimitar até onde podem chegar tanto as investigações contra o banco como os efeitos da fumaça vulcânica na Europa.
 
Enquanto isso, a temporada de balanços nos Estados Unidos ganha velocidade nesta semana, inclusive com os números do próprio Goldman amanhã e do JPMorgan, na quarta-feira.

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