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Fim de semana decisivo para Grécia traz cautela, antes do PIB dos EUA

30 de abril de 2010 | 09h44

Este final de semana será decisivo para a crise de dívida soberana na Europa. Os players do mercado esperam o anúncio de um pacote de pelo menos 120 bilhões de euros para os próximos três anos, como forma de evitar a reestruturação da dívida grega e isolar o caso do restante do continente.
 
Se o suporte vier, os investidores poderão respirar bastante aliviados, com disposição inclusive para novos ralis. Bastará então monitorar a aprovação dos recursos nos poderes legislativos dos países do bloco, nos dias seguintes. A espera traz alguma cautela para as bolsas, natural depois da disparada dos ativos ontem, mas permite recuperação do euro, antes da divulgação do PIB dos Estados Unidos no primeiro trimestre, outro dado que moverá os mercados globais hoje.
 
Nesta semana, a situação chegou a ficar perigosa. A turbulência se espalhou para outras nações com problemas fiscais, como Portugal, Irlanda e Espanha. Parece que a escalada da crise fez as autoridades despertarem para os riscos da falta de ação e das graves consequências que podem trazer uma moratória grega.
 
Como diz o estrategista do Deutsche Bank em Londres, Jim Reid, as declarações das autoridades nas últimas 48 horas levam à conclusão de que a Grécia não será a versão soberana do Lehman Brothers, como os investidores chegaram a temer nos momentos de maior tensão.
 
“Uma conclusão positiva do acordo da União Europeia e do FMI pode induzir a queda dos juros dos títulos gregos de dez anos para 8% e um rali de alívio no euro para cerca de US$ 1,38 nas próximas semanas”, avalia o economista Paolo Pizzoli, do ING.
 
Segundo o Financial Times, Atenas teria concordado com um plano de austeridade de 24 bilhões de euros, incluindo o congelamento por três anos nos salários do funcionalismo público.
 
É claro que, como o problema da dívida soberana na Europa é profundo, os riscos não ficam totalmente eliminados com o resgate da Grécia. Um alerta vem dos economistas Nouriel Roubini e Arnab Das, da Roubini Global Economics, em artigo de hoje no FT. Para eles, o caso não se resolve apenas com um pacote de socorro
mais forte e seria melhor adotar um “plano B”. Isso envolveria, por exemplo, a reestruturação pró-ativa da dívida da Grécia, um ajuste fiscal mais amplo nos países periféricos da zona do euro e mais desaperto monetário do Banco Central Europeu.
 
O impacto da crise de dívida europeia nos emergentes tem sido relativamente limitado. As bolsas sofrem nos momentos de grande tensão e as commodities, especialmente os metais, ficam limitadas pela desvalorização do euro. Mas os desdobramentos deste final de semana serão decisivos também para as carteiras emergentes, daí o interesse global sobre o destino da Grécia.
 
Os estrategistas do Barclays Capital tendem a manter a perspectiva positiva para os ativos emergentes, desde que as ansiedades sejam aliviadas pelo anúncio do pacote grego. “Mas as precárias posições fiscais (na Europa) devem continuar como uma ameaça para o sentimento do mercado nos próximos meses, o que reforça nossa intenção de gradualmente reduzir a orientação bullish conforme o rali amadurecer”, diz análise da equipe chefiada por Piero Ghezzi.
 
Antes da definição sobre a Grécia, os investidores aguardam a divulgação do PIB dos Estados Unidos no primeiro trimestre hoje. O número deve exibir a retomada econômica mais forte apontada por diversos indicadores e pelo próprio Federal Reserve. As estimativas são de um crescimento de 3,3% na margem, após a disparada de 5,6% no quatro trimestre de 2009.
 
O economista Jeremy Stretch, do Rabobank, acredita em uma contribuição mais forte do consumo, refletindo a melhora do mercado de trabalho. Ele acredita que, se o PIB vier em linha ou acima da expectativa, o mercado ficará em observação para uma gradual mudança de linguagem do Fed.

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