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Foco do exterior divide-se entre Europa e EUA nesta sexta-feira

12 de fevereiro de 2010 | 09h28

O foco dos investidores divide-se nesta sexta-feira entre Europa e Estados Unidos. Dados da economia norte-americana ganham destaque e ajudam a direcionar os mercados internacionais, enquanto o Brasil já entra no clima do Carnaval.

A decepção com a reunião da União Europeia, ontem, não chegou a provocar os estragos que poderia. Mesmo sem medidas concretas, o apoio do bloco à Grécia foi suficiente para passar a impressão de que o país terá suporte quando e se precisar.
Tanto que as bolsas europeias correm atrás nesta manhã dos ganhos obtidos por Wall Street.
 
Obviamente, isso não significa que as dificuldades fiscais desapareceram do radar dos investidores. Ao contrário: analistas acreditam que os problemas não têm solução de curto prazo e ainda há um longo caminho a ser percorrido para um ajuste. A crise fiscal, aliás, não é só da Grécia – Portugal e Espanha também preocupam – e nem só da Europa – já que a dívida pública  dos EUA dispara.
 
Para agravar os temores fiscais, a recuperação econômica ainda acontece de forma lenta, como evidenciou o PIB da Alemanha no quarto trimestre, que ficou estável, ao contrário da projeção de alta de 0,3%. 
 
Entre os ativos, o euro é o maior prejudicado da situação e segue em forte queda nesta sexta-feira. Outra mostra de que as incertezas ainda rondam é o comportamento das commodities, também com desvalorizações nas praças internacionais.
 
“A falta de detalhes (do plano para a Grécia) foi recebida pelos mercados de forma melhor do que imaginávamos, mas parece que um apoio implícito é bom o suficiente por enquanto”, avalia Jim Reid, estrategista do Deutsche Bank em Londres. No entanto, acredita, o problema não está resolvido, até porque somente a questão da Grécia foi discutida.
 
Diante da turbulência causada pelas dificuldades da zona do euro, alguns já se perguntam se este seria o “subprime europeu”, numa referência à crise que devastou o sistema financeiro dos EUA. O Goldman Sachs acredita que não chega a tanto, afinal a exposição dos bancos da Europa às dívidas soberanas é somente metade do que as hipotecas representavam para as instituições norte-americanas em meados de 2007.
 
Nessas situações, os investidores estão sempre a se perguntar qual será o próximo país a cambalear – ou seja, à procura de um novo alvo de especulação. Se a busca se voltar para os emergentes, o economista Jonathan Anderson, do UBS, já tem a
resposta: não existe nenhuma nação exposta no curto prazo. Mas os mercados devem acompanhar o lado fiscal da Hungria e da Índia.
 
Nos Estados Unidos, saem os primeiros indicadores desde que o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, informou que a elevação da taxa de redesconto deve ser a primeira medida da estratégia de saída, o que não está longe de ocorrer.
 
Por isso, ganham destaque as vendas no varejo (às 11h30 de Brasília), adiadas para hoje em razão da nevasca em Washington. A precisão é de alta de 0,3%, uma retomada após a queda de 0,3% em dezembro. Também saem o sentimento
do consumidor de Michigan de fevereiro (12h55) e os estoques de petróleo (às 14h).

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