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Fragilidade fiscal na Europa volta a incomodar e traz cautela

28 de setembro de 2010 | 09h11

A delicada situação fiscal de países da Europa volta a incomodar a comunidade financeira internacional. O problema, adormecido nos últimos meses, agora ressurge com tensões renovadas na Irlanda e na Espanha, espalhando cautela.

Há receios de que a Espanha poderá perder seu rating AAA também da Moody´s, depois de já ter sofrido rebaixamento da Standard and Poor’s e Fitch. Segundo o jornal espanhol Expansión, a agência de avaliação de risco se reúne na quinta-feira para avaliar o país, que já conta com perspectiva negativa.

A Espanha voltou a captar hoje, emitindo 2,9 bilhões de euros em títulos de três e seis meses. Pagou, no entanto, mais do que na operação realizada há um mês.

Ontem, a Moody´s já provocou abalo no mercado internacional ao cortar a nota do Anglo Irish Bank em três graus, para Baa3. A notícia trouxe uma onda de nervosismo sobre o setor bancário, já que a garantia do governo irlandês para o sistema financeiro vence nesta semana.

A principal preocupação do momento é saber quanto custará a nova ajuda do governo ao Anglo Irish Bank, anúncio aguardado para quinta-feira. Ontem, o ministro de Finanças irlandês, Brian Lenihan, disse que a instituição vai honrar as obrigações com os investidores.

“Alguns analistas estão estimando que a exposição dos bancos alemães e britânicos à dívida tóxica irlandesa pode criar perdas de até US$ 150 bilhões”, escreve aos clientes Boris Schlossberg, da corretora GFT.

Como os pontos de interrogação são muitos, as bolsas europeias adotam a cautela nesta manhã, também no aguardo de novos dados sobre a economia dos Estados Unidos. O acompanhamento dos indicadores é o que irá modelar a atuação do Federal Reserve, fator determinante para as estratégias de investimento mundo afora.

Ganhou toda a atenção o artigo do The Wall Street Journal sobre a intenção da autoridade de adotar um programa de compra de títulos em menor escala desta vez. Ao invés de anunciar um amplo volume de aquisição de bônus e um prazo final para as operações, como fez em 2009, a instituição poderá ajustar o programa conforme o andamento da recuperação econômica.

Como o WSJ antecipou a decisão do Fed de reinvestir a carteira de títulos, que deu espaço para a retomada do desaperto quantitativo, todo mundo leva em consideração o artigo do jornal.

Na agenda dos EUA, a tarefa de hoje é acompanhar o índice de preços dos imóveis S&P/Case Shiller, às 10 horas (de Brasília), e os dados da Conference Board, às 11 horas.

Às 9h08 (de Brasília), as bolsas de Londres (-0,18%) caía, enquanto Paris (+0,18%) e Frankfurt (+0,27%) subiam. O petróleo cedia 0,77%, para US$ 75,91 o barril, no pregão eletrônico da Nymex.

Depois de sofrer pressão nesta manhã, o euro conseguia subir a US$ 1,3464, de US$ 1,3444 no fechamento de ontem em Nova York. A libra atingia US$ 1,5867, de US$ 1,5826. O dólar valia 84,11 ienes, de 84,25 ienes na véspera.

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