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Grécia, Itália e bancos disputam a lista de tensões

20 de setembro de 2011 | 11h42

Muitos episódios da crise da zona do euro precisam dar certo para que a confiança dos investidores globais seja restaurada. Como até agora não surgiu nenhum movimento capaz de indicar ao menos uma possibilidade de melhora dos problemas, os mercados seguirão operando sob forte volatilidade e insegurança.

O topo da lista de maiores preocupações está bastante disputado. Um default mais profundo da Grécia, a fragilidade do sistema bancário europeu e a situação fiscal da Itália deixam o cenário complicado. As bolsas europeias até que surpreendem e mostram alguma recuperação nesta manhã, mas o movimento pode se dissipar a qualquer momento.

Para que tudo se resolva, a Grécia precisa conseguir, no curto prazo, duas coisas: a próxima tranche da ajuda externa obtida no ano passado e a concretização da oferta de troca de dívida com os credores. Sem isso, acaba o já bastante restrito oxigênio financeiro do país. As conversas entre Atenas e o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Central Europeu (BCE) e a União Europeia prosseguem hoje.

O governo grego considera fazer um referendo para apontar se o país deve deixar a zona do euro, diz o jornal Kathimerini. “A questão sobre se a Grécia pode continuar com a austeridade exigida para receber ajuda continua viva e as dificuldades políticas se amontoam domesticamente”, diz Adrian Foster, analista do Rabobank.

O rebaixamento do rating da Itália pela Standard and Poor’s, ontem à noite, definitivamente não ajuda. A agência cortou a nota da dívida italiana de A+ para A. Na semana passada, a Moody’s prorrogou a revisão do rating e deu a falsa impressão de alívio aos mercados. Na verdade, o resultado tende a ser ainda pior do que o esperado, pois os especialistas do Barclays Capital acreditam que a Moody’s poderá dizimar a nota da Itália em dois notches.

A tensão também é garantida pelos temores com os bancos europeus, bastante expostos à dívida da periferia. A leitura da imprensa internacional traz dores de cabeça adicionais. Há rumores de que bancos estatais da China deixaram de fazer negócios com as instituições da Europa. E o Financial Times diz que o grupo alemão Siemens retirou 500 milhões de euros de um grande banco francês, há duas semanas, para colocá-los no BCE.

No meio de tanto barulho, o Federal Reserve inicia hoje sua reunião de política monetária. O consenso aponta que o BC dos EUA deve anunciar amanhã a chamada “Operação Twist”, para alongar o prazo dos títulos de sua carteira.

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