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Grécia monopoliza atenção do exterior, aliviado por CPI da China

11 de fevereiro de 2010 | 09h11

A reunião da União Europeia, em Bruxelas, monopoliza as atenções dos investidores globais nesta quinta-feira. Depois de confirmada a intenção de dar apoio para a Grécia, agora se discute o tamanho do suporte e a real disposição dos
países do bloco. A espera no mercado cambial é tensa e deixa o euro em forte queda no exterior.
 
Em compensação, as bolsas europeias se sustentam em alta. A notícia vista como positiva pelos mercados hoje é a desaceleração dos preços na China, o que aliviou os temores de um aperto monetário iminente no maior emergente do mundo.
 
As últimas informações dão conta de que a Alemanha e a França lideram um plano conjunto de socorro. Ao desembarcar em Bruxelas ontem à noite, o primeiro-ministro da Espanha, Jose Luis Rodriguez Zapatero, confirmou que os países europeus ajudarão a Grécia. “Temos de dar suporte à Grécia, isso está claro, e é a Europa e o Eurogrupo que farão isso”, disse Zapatero, que ocupa a presidência rotatória da UE.
 
Analistas debatem quais serão exatamente as decisões de hoje. A principal questão é saber se já será anunciado um plano fechado ou apenas o compromisso de ajudar. O tamanho do pacote – falava-se em 20 bilhões de euros – e quem exatamente vai arcar com a ajuda são outros pontos a serem esclarecidos.
 
Para Erik Nielsen, economista do Goldman Sachs para a Europa, o encontro de hoje deve decepcionar. “É improvável que os líderes concordem com mais do que algumas diretrizes sobre como deve ser o plano de resgate. Um compromisso firme é praticamente impossível”, escreve. Isso porque, argumenta, empréstimos bilaterais precisam da aprovação dos parlamentos dos países envolvidos, um processo que ainda não começou.
 
Luigi Speranza, do BNP Paribas, também avalia que é improvável o anúncio de um plano detalhado hoje. No entanto, acredita que o mais importante é um compromisso explícito de apoio à Grécia. “A declaração de intenção de ajudar já seria mais do que suficiente neste momento.”
 
A situação delicada da zona do euro, que vive uma crise com características de emergentes, já começa a criar contraste com a posição dos Estados Unidos, ao menos no quesito de política monetária. Cresce a percepção entre os analistas que o problema fiscal afetará as decisões do Banco Central Europeu, adiando o aperto monetário esperado para o pós-crise.

 
Em compensação, o Federal Reserve deixou claro ontem que a estratégia de saída nos Estados Unidos começará pela elevação das taxas de redesconto, algo que não está longe de acontecer. A intenção estava presente no texto do depoimento
preparado por Ben Bernanke no Comitê Financeiro da Câmara, cancelado em razão da nevasca em Washington.
 
Já o aperto monetário na China, tão temido pelos investidores, parece ter ficado mais longe. A inflação ao consumidor em janeiro marcou 1,5%, abaixo do índice de 1,9% registrado em dezembro. “O resultado, combinado com a desaceleração dos
empréstimos bancários nas últimas semanas, reduz a probabilidade de aperto no curto prazo”, anotam Wensheng Peng e Jian Chang, do Barclays Capital.

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