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Grécia sela o destino dos mercados globais nesta semana

27 de junho de 2011 | 10h07

Recai sobre a Grécia o destino dos mercados globais. O país está sob imensa pressão para aprovar novas medidas de austeridade fiscal nesta semana e, assim, garantir o socorro externo que evitará o default. Se algo der errado, os efeitos serão sentidos pelos investidores mundo afora. Os próximos dias são decisivos.

Em meio à forte onda de insatisfação popular contra os rígidos cortes de gastos, o parlamento grego deve decidir sobre o novo programa na quarta-feira. Analistas continuam acreditando que as medidas irão passar, pois, caso contrário, as consequências seriam ainda mais severas. Entretanto, a situação do país é instável e a base governista segue apresentando sinais de rachadura.

“É difícil lembrar uma situação onde o sentimento já frágil do mercado financeiro tenha dependido tanto do resultado de um único evento político”, avalia Tom Levinson, estrategista de câmbio do ING. Ele mantém como cenário básico a aprovação do programa de austeridade, mas vê um “severo choque de aversão ao risco” caso o parlamento decida contra. “Não está claro se os políticos da zona do euro têm um plano B caso a votação fracasse.”

Nos próximos dias, os investidores devem seguir alerta aos desdobramentos da política grega. O jornal Kathimerini diz que quatro parlamentares do Movimento Socialista Pan-Helênico (PASOK) indicaram que podem votar contra o governo. A oposição da Nova Democracia, que governou o país no período de construção do déficit insustentável, também diz que não aprovará as medidas, apesar da pressão feita pela chanceler da Alemanha, Angela Merkel.

A União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) só irão liberar a quinta tranche do empréstimo tomado no ano passado, de 12 bilhões de euros, e o novo pacote de resgate, estimado em pelo menos 100 bilhões de euros, se a Grécia aprovar as medidas adicionais de austeridade.

Nesse caso, os ministros europeus definiriam a ajuda na reunião marcada para 3 de julho. O calendário é apertado porque o próximo vencimento da Grécia é em 15 de julho, no valor de 2,4 bilhões de euros. Em 22 de julho, vencem mais 1,6 bilhão de euros.

Enquanto isso, a França e a Alemanha negociam outro ponto crucial: o papel dos credores privados no novo pacote de ajuda externa. Diversos veículos estrangeiros informam que grandes bancos alemães e franceses participarão do plano e devem aceitar postergar as datas de vencimentos dos títulos da dívida soberana grega. Entretanto, as agências de rating já afirmaram em diversas ocasiões que a mudança das condições da dívida será vista como default.

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