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Há risco de superaquecimento na China

20 de abril de 2010 | 14h42

A economia da China cresce acima do potencial e existe risco real de superaquecimento. Na avaliação do economista-chefe para a China do HSBC, Qu Hongbin, o governo de Pequim adotará novas medidas para conter a inflação, inclusive com a alta dos juros nos próximos meses. Ele também espera a retirada dos estímulos fiscais adotados durante a crise, com redução dos investimentos em infraestrutura.
 
“No curto prazo, isso ajudará a esfriar os preços das commodities”, afirmou, em entrevista à Agência Estado. Para o longo prazo, ele avalia que a cotação das matérias-primas tem tendência de alta.
 
Nos últimos dias, a China anunciou medidas específicas para segurar o preço dos imóveis, diante dos temores de bolha no setor. Qu Hongbin acredita, no entanto, que as iniciativas não serão suficientes para conter a inflação e o governo terá de apertar a política monetária. 
 
E a principal ferramenta será o aumento dos depósitos compulsórios. “O governo deve elevar os juros nos próximos três meses”, afirmou. “Há risco real de superaquecimento e a pressão dos preços está espalhada pela economia.”
 
Ele projeta crescimento de 12% do PIB chinês no primeiro semestre deste ano, com desaceleração para 10% nos últimos seis meses de 2010, a partir das medidas a serem adotadas por Pequim.
 
Qu Hongbin também avalia que a China voltará a valorizar gradativamente o yuan nos próximos meses, mas não como uma política central de aperto monetário. Isso porque a estratégia de deixar a moeda atrelada ao dólar foi mantida para superar a crise. “Como o país se recuperou muito rápido, é provável que o câmbio se normalize.”
 
Ele acredita que os analistas exageram sobre o impacto da retomada da valorização do yuan sobre a economia mundial. Isso porque a apreciação da moeda chinesa não representará a solução para os desequilíbrios globais. Afinal, o país ainda lida com taxa de poupança extremamente elevada. “A alta do yuan não trará um impacto direto sobre os investimentos nem fará o superávit da China desaparecer.”

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