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Indefinição com Grécia prejudica euro, mas bolsas sobem na Europa

19 de março de 2010 | 10h14

Com a agenda de indicadores vazia hoje nos Estados Unidos, as discussões dos investidores internacionais continuam voltadas para a Grécia. A indefinição sobre uma ajuda financeira ao país, que pode passar pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), pesa novamente sobre o euro e o petróleo. As bolsas europeias conseguem altas leves.
 
Ganha força a avaliação de que o fundo é um caminho para a Grécia, posição agora sustentada pela Alemanha. “Não é vergonha chamar o FMI, que na verdade é a solução mais eficiente”, avalia Marco Annunziata, economista-chefe do Unicredit.
“Vergonha é não ter conseguido assegurar a disciplina fiscal e passar meses com indecisões e discussões sobre como reagir.”
 
Para ele, o ponto complicado da posição alemã é a proposta de um mecanismo de expulsão para os países que não cumprem as regras da zona do euro. Isso traria forte instabilidade para os mercados e alimentaria a aversão ao risco, inclusive com ataques especulativos, acredita.
 
Ontem, a Comissão Europeia fez um alerta sobre os déficits fiscais da região, o ponto mais sensível para os mercados neste momento. Conforme a entidade, as projeções de crescimento econômico da Alemanha, França, Itália e Espanha são muito otimistas e colocam em risco a habilidade de fazer cortes nos orçamentos, conforme as regras fiscais europeias.
 
Na próxima quarta-feira, o Reino Unido anuncia o aguardado orçamento de 2010, uma peça considerada fundamental para as eleições que devem ocorrer em maio. A forma de administração dos gastos públicos é uma das principais discussões no país e pode até definir a cadeira de Downing Street, disputada entre o primeiro-ministro Gordon Brown e o líder do Partido Conservador, David Cameron. Apesar de mostrarem desaceleração, os empréstimos líquidos do setor público britânico
atingiram 12,4 bilhões de libras em fevereiro, recorde para o mês.
 
A notícia positiva no país hoje vem do setor bancário. O Lloyds Banking Group afirmou que voltará a registrar lucro neste ano. Em fevereiro, a instituição registrou um prejuízo antes dos impostos de 6,3 bilhões de libras. O banco teve de ser socorrido durante a crise pelo governo, que hoje possui fatia de 41%.
 
Nos Estados Unidos, os investidores presenciam nesta sexta-feira o chamado quadruple witching, vencimento simultâneo de contratos de índices e futuros de ações e opções. Ontem, indicadores positivos sobre a economia norte-americana levantaram temores de nova alta da taxa de redesconto pelo Federal Reserve. Mas a possibilidade foi insuficiente para deixar as bolsas em queda e o Dow Jones fechou em alta pelo oitavo pregão seguido.

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