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Indicadores dividem atenção com Grécia nesta semana no exterior

29 de março de 2010 | 09h43

A semana será intensa e com descanso limitado para os investidores internacionais antes da Páscoa. Uma bateria de dados econômicos da Europa e dos Estados Unidos dará a medida da recuperação econômica em curso, com o ápice em pleno feriado de Sexta-Feira Santa, a partir dos sempre aguardados números do mercado de trabalho norte-americano.
 
A perspectiva de indicadores positivos dividirá a atenção com o caso da Grécia, que continua no radar. Depois que os países da zona do euro mostraram que uma ajuda só virá em último caso, ainda assim com o suporte do Fundo Monetário Internacional (FMI), a Grécia tenta captar recursos no mercado para cumprir suas obrigações. Conforme informou há pouco a Dow Jones, o país lançou uma operação para emitir títulos de sete anos, denominados em euros.
 
A moeda europeia continua em recuperação, iniciada a partir das definições do bloco na semana passada, que eliminaram a perspectiva de default no curto prazo da Grécia. O cenário mais leve nos mercados internacionais também permite a valorização das bolsas europeias nesta manhã.
 
Ajuda a divulgação de dados favoráveis agora cedo, como o Índice de Sentimento Econômico da zona do euro, que marcou 97,7, acima das projeções. Junto com os dados fortes conhecidos na semana passada, as informações recentes apontam para recuperação da região. Nos EUA, também é positiva a expectativa para o
payroll na sexta-feira, com a previsão da retomada da criação de vagas de trabalho em março (+203 mil).
 
Mas os próximos dias prometem volatilidade, até pela liquidez reduzida com a chegada do feriado. Diversos analistas seguem dizendo que a perspectiva negativa para o euro não mudou. Na avaliação do economista Jeremy Stretch, do Rabobank, o acordo recente sobre a Grécia é só “o fim do começo”. “Continuamos
vendedores de euro, já que as incertezas fiscais e políticas permanecem reais.”
 
O maior problema é que a questão dos déficits elevados não se restringe à Grécia, nem à Europa: está presente em diversos países desenvolvidos, incluindo os Estados Unidos. Se maior economia do mundo se mover muito lentamente para atacar o rombo, os mercados financeiros podem perder a confiança na disciplina fiscal dos EUA, argumenta o Rabobank.
 
O estrategista-chefe para emergentes do HSBC, Philip Poole, avalia que os países em desenvolvimento, hoje em situação favorável, podem ser afetados pelos déficits das nações mais ricas. Não só do ponto de vista da aversão ao risco, mas também pelo efeito colateral trazido pelo combate ao endividamento público, que é a redução do crescimento econômico global.  “A preocupação generalizada sobre a sustentabilidade das dívidas no mundo desenvolvido continuará prejudicando o apetite pelo risco e os ativos e as moedas emergentes não estarão imunes”, escreve Poole.

 
Além da melhor situação fiscal, os emergentes também despontam como condutores da recuperação econômica global. Isso leva a um total contraste das políticas monetárias. Enquanto a Europa e os EUA experimentam juros
perto de zero, sem perspectiva de mudança no curto prazo, os emergentes já colocam em curso estratégias de aperto monetário – no Brasil, o início do ciclo de altas é esperado para abril.
 
Nesse contexto, ontem Israel elevou novamente os juros em 0,25 ponto porcentual, para 1,50%. O país foi o primeiro a subir a taxa após a crise global e deve continuar com elevações nos próximos meses, avalia o estrategista-chefe de emergentes do Citibank em Londres, David Lubin. Como a produção está se recuperando prontamente, o BC de Israel preferiu agir agora e evitar surpresas no futuro.

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