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Inflação dá as cartas nas estratégias de investimentos pelo mundo

21 de janeiro de 2011 | 09h14

A inflação está dando as cartas nas estratégias de investimentos ao redor do globo. A pressão sobre os preços, reflexo da alta das commodities, cria um novo componente neste momento de disparidades na economia mundial. Os bancos centrais estão novamente na berlinda.

Investidores do mundo todo seguem de olho, principalmente, nos movimentos da China. A velocidade do crescimento é considerada insustentável e novas medidas de aperto monetário são dadas como certas. O estatal China Securities Journal traz hoje a informação de que a primeira alta de juros de 2011 pode acontecer antes do ano novo chinês, no início de fevereiro.

Em um dia praticamente sem agenda no exterior, a inflação é o tema a ser analisado pelos mercados. No atual cenário, os emergentes estão superaquecendo, enquanto os Estados Unidos iniciam recuperação e a Europa se divide entre a Alemanha forte e a periferia fraca, abatida pela crise de dívida soberana.

Todo o esforço das nações desenvolvidas para reativar a economia deixou os juros no chão e criou uma onda artificial de liquidez que procura retornos mais elevados pelo mundo. Boa parte desse dinheiro migra para as commodities, puxando os preços dos alimentos e da energia, com reflexos sobre todas as economias.

Até mesmo a Europa se vê diante do dilema. Os índices de preços estão acima da meta de 2% na zona do euro e no Reino Unido. Tanto que o BNP Paribas acaba de elevar as projeções para o continente e agora acredita que a inflação na zona do euro ficará em 2,2% este ano, ante a estimativa anterior de 1,8%.

Os mercados internacionais de renda fixa veem grandes movimentos causados pela nova perspectiva de inflação generalizada. Os investidores estão vendendo títulos da Europa e dos Estados Unidos.

Nesta semana, dois emergentes deram início a um ciclo de aperto monetário: Brasil e Polônia. Se a alta dos juros é vista como inevitável para conter a demanda, acaba exacerbando a valorização cambial, resultado do forte fluxo de recursos externos. Depois de elevar a Selic em 0,5 ponto porcentual, para 11,25%, o Banco Central do Brasil anunciou ontem mais um leilão de swap cambial reverso para tentar segurar o real nesta sexta-feira.

Os países vêm adotando medidas diversas para lidar com a questão. Israel é o mais novo a se juntar ao grupo, ao definir ontem um compulsório de 10% sobre as transações de derivativos cambiais por investidores estrangeiros. O objetivo é reduzir a atratividade das operações de carry trade, que vêm puxando o shekel.

As praças europeias abriram em alta hoje. Às 9h13, as bolsas de Londres (+0,60%), Paris (+1,18%) e Frankfurt (+0,57%) subiam, enquanto o barril do WTI era cotado a US$ 90,12 na Nymex, com ganho de 0,59%.

No mesmo horário, o euro avançava para US$ 1,3535, de US$ 1,3473 no fechamento de ontem em Nova York. O dólar valia 82,81 ienes, de 82,98 ienes.

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