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Informações da Ásia geram busca por risco no mercado internacional

26 de fevereiro de 2010 | 11h11

A Ásia joga o pessimismo para o escanteio nos mercados internacionais hoje. Informações consideradas favoráveis do Japão e Índia estimulam a busca por ativos mais arriscados e deixam as bolsas europeias em alta nesta manhã.
No decorrer do dia, a tarefa é acompanhar novos dados da economia dos Estados Unidos.
 
Surpreendeu os investidores a alta de 2,5% da produção industrial japonesa em janeiro, na comparação com dezembro, puxada pela retomada das compras dos países da região. As projeções apontavam para número bem menor, de 1,1%. A
deflação continua sendo um problema no país, bastante afetado pela crise, mas começam a surgir sinais de que a queda dos preços pode estar perdendo força. O índice de inflação ao consumidor recuou 1,3% em janeiro, queda idêntica à registrada no mês anterior.
 
Na Índia, o ministro de Finanças, Pranab Mukherjee, anunciou o orçamento deste ano, que inclui a estratégia de retomar o crescimento de 9% ao ano. Depois da injeção de recursos na economia praticada durante a crise, o governo avalia que chegou o momento de revisar os estímulos – como está fazendo o Brasil. O plano inclui a redução do déficit público de 6,9% para 5,5%.
 
“O crescimento do PIB da Índia deve acelerar para 7,5% a 8% neste ano, apesar da esperada retirada do estímulo do governo e medidas de aperto da política monetária”, diz hoje a Standard & Poor´s, em comunicado.
 
Até mesmo o Reino Unido, que tanto patina para sair da crise, trouxe boa notícia hoje. O crescimento do PIB do quarto trimestre foi revisado do mísero crescimento de 0,1% para expansão de 0,3%. Nada que represente desempenho fora de série, mas ao menos marca o fim da recessão que durou um ano e meio no país.
 
Ainda na Europa, a situação da Grécia segue monitorada de perto. Para o Goldman Sachs, as informações de que inspetores da União Europeia estão em Atenas sugerem que as medidas de austeridade fiscal já anunciadas são insuficientes para
reduzir o déficit na proporção desejada. “A principal preocupação da Comissão Europeia parece ser que o crescimento fique mais fraco do que o esperado pelo governo grego”, escrevem Dirk Schumacher e Nick Kojucharov. Na avaliação dos
especialistas do banco, esse é o maior risco para o processo de consolidação fiscal.
 
A atuação do Goldman Sachs em transações com o ex-governo conservador grego que teriam camuflado as dívidas do país agora estão na mira do banco central dos Estados Unidos. Ontem, o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, afirmou
que a autoridade está analisando o caso.
 
Também veio dele um alerta referente ao efeito do inverno rigoroso no Hemisfério Norte sobre a criação de empregos no país, como já comentam alguns analistas. Ontem, os pedidos de auxílio-desemprego registraram alta de 22 mil solicitações, longe da esperada queda de 13 mil. “Parte da recente deterioração é decorrente das condições adversas do clima, principalmente na indústria de construção”, avalia Anna Piretti, do BNP Paribas.
 
Hoje, novos dados nos Estados Unidos dão a medida da situação econômica. Às 10h30 (de Brasília), sai a revisão do PIB do quarto trimestre. Em seguida, vem o índice dos gerentes de compras de Chicago (11h45), o resultado final do índice de
confiança da Universidade de Michigan (11h55) e as vendas de imóveis usados em janeiro (12h).

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