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Intervenção coordenada no petróleo e Grécia puxam mercados externos

24 de junho de 2011 | 09h03

Enquanto os investidores brasileiros estão em clima de feriado, os acontecimentos no exterior não dão trégua. Além do turbilhão provocado pela Grécia, a intervenção coordenada no petróleo chacoalhou os mercados internacionais ontem e promete ajustes para a Bovespa. A volatilidade segue presente e o humor já foi de um extremo ao outro nas últimas horas.

 Nesta manhã de sexta-feira, o ambiente é positivo e as bolsas europeias engatam altas superiores a 1%. Mas, nada está garantido, pois a crise grega mantém a instabilidade no ar.

 Operadores creditam o desempenho positivo de hoje à informação de que o governo grego concordou em reforçar as medidas de austeridade fiscal para cobrir um novo rombo de 5,5 bilhões de euros. Segundo o Financial Times, essa diferença foi descoberta em visita a Atenas nesta semana pela chamada “troica,” formada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), União Europeia e Banco Central Europeu.

 Entretanto, o ânimo dos investidores pode não ser duradouro. Afinal, se já estava difícil para o governo grego passar o pacote de corte de gastos de 28 bilhões de euros, imagine agora se a cifra tiver de subir para 33,5 bilhões de euros, além dos 50 bilhões de euros a serem obtidos com privatizações.

“Numa leitura mais aprofundada, a notícia não parece tão positiva”, avalia Chris Turner, estrategista do ING, lembrando que o buraco terá de ser coberto com mais corte de gastos e alta de impostos.

 Analistas acreditam que as propostas adicionais de austeridade, necessárias para a liberação de mais ajuda externa, devem ser votadas na próxima quinta-feira (30 de junho).

 As lideranças da União Europeia participam hoje do segundo dia da reunião de cúpula, em Bruxelas. Como esperado, há sinalizações de que a Grécia receberá mais recursos caso se comprometa com novos cortes de gastos. Mas, o martelo só deve ser batido na reunião de ministros marcada para 3 de julho, caso tudo dê certo.

 Nos próximos cinco dias, as atenções também se voltam para a visita do premiê da China, Wen Jiabao, à Europa. Como o país tem dado suporte verbal para a periferia da zona do euro, analistas irão observar a possível disposição chinesa de comprar dívidas da região.

 Aliás, Jiabao já provoca repercussão com artigo de hoje no Financial Times, apontando que a China terá sucesso no combate à inflação. “O nível geral dos preços está numa faixa controlável e deve cair firmemente”, escreveu. O índice preliminar de atividade industrial chinês, medido pelo HSBC, provocou susto ao cair para 50,1 em junho, no menor nível em 11 meses e perto da leitura que indica contração, conforme divulgado na quarta-feira à noite.

 Mas, o grande choque veio mesmo com o inesperado anúncio da Agência Internacional de Energia (AIE) ontem. Pela terceira vez na história, a entidade decidiu liberar estoque estratégico. Serão colocados 60 milhões de barris de petróleo no mercado, sendo que metade virá das reservas dos Estados Unidos (o que não era feito desde 2005, em razão do furacão Katrina).

 No comunicado, a AIE afirmou que a medida é uma resposta à redução da oferta da Líbia. Entretanto, analistas enxergam o objetivo de aliviar a desaceleração econômica em curso – até porque, a guerra da Líbia começou há meses. O elevado preço do petróleo vem sendo apontado como um dos principais fatores para o esfriamento da atividade global, junto com os efeitos temporários do terremoto no Japão. Na quarta-feira, o Federal Reserve rebaixou as projeções para o PIB dos Estados Unidos.

 Com a surpresa, os contratos de petróleo levaram um tombo ontem e o WTI chegou a cair abaixo de US$ 90,00. No final do dia, marcou queda de 4,6%, para US$ 91,02 – hoje consegue apenas alta discreta. O Brent perdeu 6,1%, para US$ 107,26.

 Analistas já dizem que, se o movimento de queda da commodity se sustentar, poderá ter efeitos sobre a política monetária dos bancos centrais, em razão do potencial alívio sobre a inflação.

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