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Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

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Investidores globais encaram semana sem trégua e carregada de dados

28 de fevereiro de 2011 | 09h30

Os investidores globais encaram uma semana sem trégua. Além da tensão no mundo árabe, que mantém o petróleo sob forte especulação, os próximos dias concentram uma avalanche de informações econômicas. As movimentações ficarão espremidas entre os dados da recuperação dos países desenvolvidos e as perspectivas sobre o impacto da disparada do preço da energia.

A situação impõe mais um desafio para os bancos centrais de todas as regiões. A inflação continua ocupando o topo das preocupações do momento nos emergentes, embaralha o cenário na Europa e começa a pesar também nos Estados Unidos, onde até então não chamava a atenção.

O avanço do petróleo reforça os temores inflacionários, mas traz junto a possibilidade de desaceleração do crescimento, exatamente quando os países ricos conseguem engatar retomada. O dado mais importante desta semana, na sexta-feira, vem com o desempenho do mercado de trabalho nos Estados Unidos, onde é esperada a criação de 192 mil vagas em fevereiro.

Este será apenas um dos diversos indicadores previstos para os próximos dias, no ritmo da recuperação. A questão é saber se o encarecimento da energia colocará uma pausa sobre o movimento de retomada. No momento, não existe resposta para a pergunta, porque tudo depende dos desdobramentos dos conflitos no norte da África e Oriente Médio, algo absolutamente imprevisível.

O ditador Muamar Kadafi continua desafiando a pressão popular e resiste acuado na capital Trípoli, enquanto outras partes da Líbia já estão nas mãos dos grupos de oposição que exigem democracia. Na sexta-feira, os Estados Unidos anunciaram que irão impor sanções ao país.

Em meio a essa emboscada entre crescimento e inflação, bancos centrais importantes se posicionam na semana. O presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, faz discurso semianual no Senado (amanhã) e na Câmara (quarta-feira).

O Banco Central Europeu anuncia decisão de política monetária na quinta-feira. É esperada a manutenção dos juros em 1%, mas toda a curiosidade recai sobre a avaliação de Jean-Claude Trichet sobre o atual cenário. Na próxima semana, será a vez de acompanhar o “discurso” de Mervyn King, pois cresce a expectativa de que o Banco da Inglaterra poderá elevar as taxas já agora em março.

No Brasil, o Copom também anuncia decisão na quarta-feira, com previsão de continuidade do ciclo de aperto monetário. O mercado nacional deve ser influenciado ainda pelo detalhamento do corte de R$ 50 bilhões do Orçamento deste ano, às 12h30 (de Brasília). A semana conta com o PIB do quarto trimestre na quinta e o IPCA de fevereiro, na sexta.

Dados importantes também virão da China, hoje à noite, com os índices de atividade industrial. No final de semana, o primeiro-ministro Wen Jiabao disse que o governo irá reduzir a meta de crescimento de 7,5% para 7% nos próximos anos. O desempenho recente do país ficou bem acima desse número e os analistas continuam afirmando que a China seguirá dando ênfase ao avanço econômico, principalmente agora em meio aos protestos por democracia no mundo árabe.

Com tanta informação para assimilar, os investidores continuam deixando de lado as eleições na Irlanda. Como esperado, a oposição do partido Fine Gael recebeu a maior parte dos votos e acredita-se num governo de coalizão com o Partido Trabalhista, a ser definido nos próximos dias. Analistas já não têm mais dúvidas de que o novo governo vai renegociar os termos do acordo fechado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a União Europeia – ponto que pode trazer incertezas mais à frente.

Há informações de que a Arábia Saudita elevou a produção para 9 milhões de barris por dia, de forma a compensar a queda de oferta da Líbia, segundo membros do governo afirmaram à Dow Jones.

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