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Medo de reestruturação de dívida da Grécia azeda humor dos mercados

18 de abril de 2011 | 10h19

O temor de reestruturação da dívida da Grécia está de novo no ar. Durante meses, as preocupações com a fragilidade fiscal do primeiro país europeu socorrido pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) ficaram de fora do radar dos investidores. Agora, o tema volta a incomodar e pesa sobre os mercados financeiros internacionais no início desta semana curta no Brasil. O resultado das eleições na Finlândia também contribui para azedar o humor.

O ceticismo sobre a capacidade da Grécia de honrar com suas dívidas nunca deixou de existir. Mas, emergiram no final de semana inquietações renovadas sobre problemas já no curto prazo, embora Atenas negue. Na edição de sábado, o Financial Times trouxe a informação de que a Alemanha estaria traçando planos para reestruturar a dívida soberana da Grécia, caso o país não consiga cumprir a reforma econômica prevista no pacote de resgate.

Uma ideia, segundo o FT, seria a troca de títulos gregos por papeis garantidos pela zona do euro, numa operação semelhante à emissão de títulos Brady pela América do Sul a partir do final da década de 1980 – vejam as voltas que o mundo dá.

Conforme fontes da Dow Jones, a Grécia teria proposto para seus parceiros da zona do euro estender o período de pagamento de toda a sua dívida de 340 bilhões de euros, mas a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu teriam negado. Também segundo fontes, o FMI acredita que o endividamento grego é insustentável e que Atenas deve considerar uma reestruturação no próximo ano.

O ministro de Finanças da Grécia, George Papaconstantinou, negou que o país esteja buscando uma reestruturação, alegando que os custos seriam maiores do que os benefícios. A ministra de Finanças da França, Christine Lagarde, disse hoje que o país está respeitando suas obrigações e não precisa de reestruturação – os bancos franceses estão expostos à dívida grega.

Como se vê, os rumores se amontoam. Os mercados reagem elevando o custo de seguro contra o default grego: o CDS de cinco anos agora embute probabilidade de calote superior a 60%. O euro, que vinha amparado pela perspectiva de que as autoridades ajudariam os países em dificuldade, também sente a pressão vinda do Mediterrâneo hoje. “Qualquer menção à reestruturação de dívida instantaneamente dispara um ataque de vendas, diante do medo de que isso possa causar prejuízo material para o sistema financeiro”, avalia Boris Schlossberg, da corretora GFT.

Também contribui para o cenário de maior aversão ao risco o resultado das eleições na Finlândia. O partido de direita Finlandeses Verdadeiros, contrário à União Europeia e aos pacotes de resgate, emergiu como nova força política do país, subindo de 4,7% dos votos em 2007 para 19% ontem. Na Finlândia, os planos de socorro para membros em dificuldade, como Portugal, devem ser aprovados pelo parlamento, destaca o ING.

Na avaliação do estrategista-chefe do Deutsche Bank, Jim Reid, o resultado eleitoral mostra “o grande risco de ser um detentor de bônus soberano de um país da periferia (da Europa)”. “Os eleitores europeus podem encorajar o que as autoridades estão inacreditavelmente com medo de permitir – isto é, perdas para os detentores de títulos”, escreve no comentário a clientes de hoje.

E, se o tema é dificuldade fiscal, eis que surge Alan Greenspan para falar da situação nos Estados Unidos. O ex-presidente do Federal Reserve afirmou que uma crise da dívida dos EUA “é iminente”. Em entrevista à emissora NBC, ele agora defendeu o fim dos incentivos fiscais introduzidos por George W. Bush.

Outra informação relevante do final de semana é a nova alta do compulsório na China, de mais 0,5 ponto porcentual, para 20,5%. Trata-se da quarta elevação no ano e veio como resposta à disparada da inflação, que atingiu 5,4% na base anual, em março. A China também usa mecanismos alternativos para apertar a economia, já que a alta de juros acaba atraindo mais capital para o país.

Uma discussão que, como se sabe, pega fogo no Brasil. É grande a expectativa para o resultado da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) na próxima quarta-feira, já no final desta semana curta com dois feriados seguidos (Tiradentes na quinta-feira e a Sexta-feira Santa).

No exterior, a agenda é leve nos próximos dias. O calendário dos EUA traz hoje, às 11 horas (de Brasília), o índice NAHB de atividade das construtoras em março. A safra de balanços ganha consistência, com Citigroup, Texas Instruments, Eli Lilly e Halliburton nesta segunda-feira.

Também falam hoje dois membros do Fed – James Bullard (14h) e Richard Fisher (sem previsão de horário) -, quem sabe para alimentar o debate sobre a política monetária no país.

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