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Mercados globais engatam no rali da esperança por plano europeu

27 de setembro de 2011 | 10h58

Os mercados globais engatam em um rali da esperança, crentes de que a Europa tem um plano para resolver a crise. As especulações de que as lideranças negociam uma blindagem aos países problemáticos e ajuda aos bancos são suficientes para provocar a recuperação dos ativos de risco, dizimados na semana passada.

As bolsas do continente vivem mais uma manhã de ganhos fortes, na casa dos 3%, enquanto as commodities também respondem positivamente. Em meio aos temores de um default mais profundo na Grécia, os investidores recebem com alívio os sinais de que as autoridades europeias teriam finalmente decidido agir. O ânimo ganhou impulso com as informações de bastidores divulgadas ontem pela rede CNBC. Por meio de uma estrutura complexa, o plano ampliaria a capacidade do mecanismo de resgate europeu (EFSF, na sigla em inglês). Seria criada uma sociedade de propósito específico para emitir títulos e comprar dívidas soberanas.

Assim, os bancos poderiam trocar a exposição à periferia da zona do euro que possuem em carteira por papéis dessa nova sociedade. A CNBC diz que a estratégia lembra a ideia inicial do Tarp, plano de salvamento dos bancos feito pelos Estados Unidos após o colapso do Lehman Brothers. Em um primeiro momento, as autoridades dos EUA pensaram em comprar os ativos tóxicos em poder das instituições financeiras, ideia que acabou sendo abandonada. Especialistas já vinham dizendo que a Europa precisará mesmo de um programa de salvamento dos bancos, um “Tarp europeu”.

Se tudo isso de fato se concretizar, os mercados têm mesmo motivos para contentamento. Afinal, a fragilidade do sistema financeiro do continente é motivo de muita aflição, já que faz lembrar os fatídicos dias de 2008. Mas, o rali das últimas horas é visto com todo o ceticismo por analistas. As informações não são oficiais e podem estar longe de uma confirmação. O que vêm à mente são os diversos casos de vazamentos recentes que não se concretizaram.

“Quantos desses ralis da esperança acabaram em decepção nos últimos 18 meses? A resposta é que todos acabaram (em decepção) no final. Será diferente dessa vez?”, questiona Jim Reid, estrategista-chefe do Deutsche Bank.

O analista Olivier Jakob, da consultoria Petromatrix, lembra de histórias recentes que não se consumaram, como a possibilidade de a China e os Brics comprarem dívida europeia. Ele acredita que as máquinas de algoritmo devem estar comprando o Dow Jones futuro, com base no mecanismo de leitura automática, citando uma questão relevante para a composição dos preços atualmente. A volatilidade vista nos últimos dias passa pelos fundos que operam automaticamente por meio de fórmulas.

Existe ainda outro componente fundamental a ser avaliado: o risco iminente de default mais profundo da Grécia. É preciso saber se um novo plano para a Europa evitaria o calote ou se, na verdade, passaria também pela maior participação do investidor privado no socorro ao país. Pelo acordo fechado em julho, Atenas receberia € 110 bilhões e os credores assumiriam perdas de 20%. Está evidente que essa estratégia caducou antes mesmo de ser aprovada pelos diversos parlamentos da região.

Mesmo autoridades passaram a reconhecer que será preciso aplicar um desconto de 50% para a dívida grega. “A Grécia precisa de uma reestruturação que reduza dramaticamente o tamanho de consolidação fiscal necessário para alcançar a sustentabilidade da dívida”, avalia David Mackie, analista do JPMorgan. “Existe uma boa chance de que o plano de participação do setor privado fechado em julho seja abandonado como parte de uma renegociação mais ampla.” Portanto, o destaque da agenda internacional de hoje é a reunião entre a chanceler alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou.

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