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Mercados globais entram em ritmo de ajuste até a reunião do Fed

26 de outubro de 2010 | 08h03

Daqui até o dia 3 de novembro, a tarefa dos mercados internacionais será simplesmente calibrar as expectativas para a estratégia do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA). A próxima reunião de política monetária é o grande e definidor evento para os investidores globais e tudo o mais que estiver no meio servirá apenas para ajustar as percepções.

Sabe-se que a postura ultra acomodatícia do BC dos Estados Unidos é um forte estimulador da procura por risco, como os mercados já vêm mostrando nos últimos dias e como funcionou na crise – afinal, durante as dificuldades históricas de 2009, as bolsas pareciam espelhar a atividade econômica de outro planeta.

Portanto, a retração das bolsas europeias e do petróleo no início dos negócios hoje espelha apenas correção das valorizações recentes. O dólar mostra movimento mais estável nesta terça-feira, mas deve continuar no centro das atenções pelo globo e especialmente no Brasil, o país mais ativo até agora na tentativa de conter a apreciação cambial.

Além da queda acentuada da moeda norte-americana, outra prova da convicção dos investidores sobre uma nova investida do Fed no curto prazo foi a emissão de títulos do Tesouro dos EUA com rendimento negativo pela primeira vez ontem. Foram vendidos US$ 10 bilhões na reabertura de uma emissão de papéis indexados à inflação, os Tips, a um yield de -0,550%, com prazo de cinco anos.

Mas o BC dos EUA pode não se ver sozinho na tentativa de estimular a economia. Diversos analistas acreditam que o Banco da Inglaterra deverá partir para o mesmo caminho no futuro. A atividade britânica, que demorou muito para sair da recessão, voltou a desacelerar. O PIB cresceu 0,8% no terceiro trimestre, abaixo do avanço de 1,2% registrado no segundo trimestre.

Mas, ao menos o resultado ficou acima das projeções (+0,4%), o que dá mais tempo para o BOE. Já tinha gente achando que o BC inglês teria de ampliar o programa de compra de títulos agora na reunião de novembro. Com o resultado, as estimativas de mais desaperto devem migrar para o próximo ano. “Um dado como esse torna o desaperto quantitativo em novembro um tanto desafiador”, acredita Alan Clarke, do BNP Paribas.

Importante acompanhar como o país vai reagir à severa redução de gastos públicos anunciados pelo governo. Com um dos maiores déficits da União Europeia, o Reino Unido vira símbolo de austeridade na região, depois que o primeiro-ministro conservador, David Cameron, anunciou pacote para cortar 81 bilhões de libras, com a demissão de quase 500 mil funcionários públicos.

Diversos outros governos buscam ajustar os orçamentos para conter a explosão das dívidas, que se agravou com a crise financeira. Na França, a mudança na idade mínima para a aposentadoria proposta pelo presidente Nicolas Sarkozy parou o país, provocando dias seguidos de greves e até confrontos com manifestantes.

“Umas das questões mais importantes sobre a recuperação global é saber se o setor privado das maiores economias manterá crescimento suficiente para compensar a retração fiscal dos governos”, avalia Adrian Foster, do Rabobank.

Nas próximas horas, as atenções se voltam para a agenda dos Estados Unidos. Às 11 horas (de Brasília), sai o índice de preços de moradias S&P/Case-Shiller. Ao meio-dia, serão divulgados os indicadores de confiança do consumidor da Conference Board e o de atividade do Fed de Richmond (outubro).

Às 8h03 (de Brasília), as bolsas de Londres (-0,78%), Paris (-0,68%) e Frankfurt (-0,21%) recuavam, junto com o petróleo, a US$ 82,10 (-0,51%).

O euro cedia a US$ 1,3946, de US$ 1,3969 no fim do dia ontem em Nova York. A libra subia a US$ 1,5844, de US$ 1,5732, como reflexo do PIB acima do esperado. O dólar valia 81,06 ienes, de 80,79 ienes na véspera.

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