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Mercados internacionais tentam sustentar marcas conquistadas na véspera

30 de março de 2010 | 10h46

Os mercados internacionais tentam sustentar as marcas conquistadas ontem, quando o apetite por risco e a realocação de recursos nas commodities alimentaram os ganhos. As negociações sobre o reajuste dos preços do minério de ferro, importantes para a Bovespa, continuam em foco no exterior.
 
Ontem, a captação de 5 bilhões de euros da Grécia trouxe alívio para o sentimento dos investidores e permitiu uma considerável recuperação do euro. Também ajudaram os dados apontando recuperação nos Estados Unidos e Europa. Hoje, os mercados continuam acompanhando novos indicadores nos EUA, enquanto se animam para receber os números do mercado de trabalho na Sexta-Feira Santa, com a expectativa de criação de 203 mil vagas em março.
 
As bolsas europeias, que renovaram as máximas do ano ontem, operam perto da estabilidade. Depois do rali, as commodities e o euro se deparam com um leve ajuste nesta terça-feira.
 
Há tempos atreladas ao mercado cambial, as matérias-primas podem ter se beneficiado do enfraquecimento do dólar ontem. Além disso, as negociações sobre o preço do minério apontam para reajustes consideráveis, diante da recuperação da demanda, como argumentam as mineradoras. As notícias recentes indicam que o sistema de acerto anual ficou para trás, substituído por um modelo de prazo mais curto. O jornal Financial Times também traz hoje a informação divulgada ontem pelas agências de notícias de que a Nippon Steel e a Sumitomo Metal fecharam com a Vale um acordo com bases trimestrais, que embute aumento de 90% do minério.
 
Para o analista Olivier Jakob, da consultoria Petromatrix, a valorização dos contratos ontem teve como motivo a procura específica por commodities, e não o efeito da relação com o câmbio. Segundo ele, o petróleo na verdade liderou o movimento dos mercados, e acabou sendo seguido pela retração do dólar – e não o contrário.
 
Essa busca não seria explicada por mudanças nos fundamentos, mas pelo posicionamento dos fundos de investimento, com o objetivo de melhorar os rendimentos dos portfólios no final do trimestre. “Subestimamos muito o potencial do embelezamento de carteiras”, diz. Ele lembra que as commodities tiveram desempenho inferior ao restante dos ativos nos primeiros três meses do ano, o que permite agora uma recuperação na reta final do trimestre.
 
O fato é que as bolsas mostram resistência e estão conseguindo se manter firmes mesmo nos momentos mais complicados – por exemplo, quando o euro cambaleou com as indefinições na Grécia. “O mercado procura por uma desculpa para comprar risco e o fluxo de notícia precisa ficar bastante negativo para que esse padrão seja quebrado”, avalia Jim Reid, estrategista-chefe do Deutsche Bank.
 
O principal foco de preocupação, ainda que agora amenizado, continua sendo a Grécia. Apesar do refresco trazido pelo acordo da União Europeia e pela emissão de ontem, analistas consideram que os problemas do país não acabaram, o que deixa o euro vulnerável.
 
A agenda de indicadores dos EUA traz hoje o índice S&P/Case-Shiller de preços de residências, às 10 horas (de Brasília). Às 11 horas, sai o índice de confiança do consumidor em março.

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