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Mercados no exterior digerem perspectiva de inflação menor na China

19 de janeiro de 2011 | 09h03

A inflação é o tema do momento mundo afora. A alta dos preços das commodities gera pressões em diversas economias, em diferentes estágios de recuperação, até mesmo na Europa mergulhada numa crise de dívida soberana. As estratégias de investimentos passam pela perspectiva de resposta das autoridades monetárias que enfrentam o problema.

A China vem agindo para segurar os preços e pode ter conseguido bons resultados. Os mercados internacionais amanheceram hoje digerindo a informação de que a inflação ao consumidor anual em dezembro teria recuado para 4,6%, de 5,1% em novembro. Os números, que não são oficiais, foram divulgados pela mídia chinesa, como relatam diversos analistas hoje. Os relatos também apontam que o PIB chinês teria crescido 10,3% no ano passado, um pouco acima da previsão (10,1%) para os resultados oficiais que saem amanhã. Foi o suficiente para fazer a Bolsa de Xangai avançar 1,86%.

As informações ajudaram a reduzir a expectativa dos mercados de que as autoridades chinesas terão de adotar mais medidas agressivas para desacelerar o crescimento. No entanto, o economista Lee Hardman, do Bank of Tokyo-Mitsubishi, ainda acredita que o BC da China implementará mais duas ou três elevações de juros no primeiro semestre deste ano, combinadas com aumento do compulsório. A desaceleração deve ter impacto sobre os ativos com desempenho mais relacionado à economia da potência asiática, como o dólar australiano, avalia.

Outros emergentes devem partir hoje para o combate mais firme à inflação. A expectativa é de que o Brasil retome o ciclo de alta dos juros, com aumento de pelo menos 0,5 ponto porcentual na Selic, no primeiro Copom de Alexandre Tombini como presidente do Banco Central do Brasil. A Polônia também deve elevar as taxas nesta quarta-feira.

Apesar da valorização da bolsa chinesa, nos mercados da Europa prevalece a cautela. O dia traz uma agenda fraca, sem indicadores relevantes. As atenções se voltam para o leilão de títulos de Portugal, que pretende colocar 750 milhões de euros no mercado. Ontem, os spreads da dívida portuguesa e de outros países periféricos voltaram a subir, enquanto as autoridades europeias patinam para ampliar os esforços de combate à crise soberana. O encontro de ministro de Finanças, como esperado, não trouxe nenhum resultado. Agora, é esperar pelas reuniões dos próximos meses.

Nos Estados Unidos, os balanços da Apple e da IBM divulgados ontem à noite agradaram. Os números inclusive diminuíram as preocupações trazidas pela licença médica de Steve Jobs. Hoje, o destaque é o resultado do Goldman Sachs, antes da abertura.

Às 9h02 (de Brasília), as bolsas de Londres (-0,39%), Paris (-0,12%) e Frankfurt (-0,06%) seguiam de  lado. O petróleo subia 0,57%, para 91,90, no pregão eletrônico da Nymex.

O euro estava cotado a US$ 1,3466, de US$ 1,3388 no fechamento de ontem em Nova York. O dólar valia 82,28 ienes, de 82,56 ienes.

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