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Mercados sincronizam relógios no mundo e aguardam o “Big Ben” soar

27 de abril de 2011 | 10h05

Os ponteiros dos relógios dos investidores ao redor do mundo estão bem sincronizados: às 15h15 de Brasília, 14h15 de Nova York, 19h15 de Londres, a autoridade do “Big Ben” vai soar. A primeira entrevista coletiva do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Ben Bernanke, é aguardada com grande expectativa pelos mercados. Afinal, suas palavras têm poder para ditar os preços dos ativos em diferentes cantos do planeta.

Analistas acreditam que a estratégia monetária extremamente frouxa será mantida pelo Fed na reunião de hoje. O programa de compra de títulos criado para estimular a economia norte-americana seguirá seu curso previsto até o final de junho. O comunicado a ser anunciado ao final do encontro, às 13h30 (de Brasília), também deve continuar trazendo a expressão de que os juros seguirão baixos por um período prolongado.

Portanto, a única novidade relevante esperada para hoje é exatamente a coletiva de “Big Ben”, a ser realizada depois do encontro do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc). Em uma nova política de comunicação, com o objetivo de aumentar a transparência, Bernanke passará a conceder entrevistas em quatro das oito reuniões realizadas anualmente. Segue, assim, modelo mais parecido com o do Banco Central Europeu e do Banco do Japão – quem sabe, serve de inspiração para Alexandre Tombini, já que os investidores andam reclamando tanto da comunicação do BC brasileiro.

Apesar de contar com a cautela de Bernanke, os investidores vão esmiuçar cada palavra em busca de sinais para os próximos passos da política monetária. Até porque recentemente surgiram discordâncias públicas entre os membros do Fed. Os pombos liderados por Bernanke seguem dando as cartas, mas os falcões estão cada vez mais incomodados com a alta da inflação.

A coletiva de hoje será uma oportunidade para saber como Bernanke enxerga a questão fiscal e seus efeitos sobre a estratégia do Fed. A preocupação cresceu depois que a Standard & Poor´s colocou o rating máximo do país, AAA, em risco ao cortar a perspectiva da nota de estável para negativa.

Os emergentes sentem a força da onda de liquidez artificial criada pela estratégia monetária extremamente frouxa do Fed. Os investidores tomam recursos com juro perto de zero nos Estados Unidos e aplicam em regiões com perspectivas de ganhos mais elevados. As chamadas operações de carry trade voltaram com tudo nas últimas semanas e afetam diretamente o Brasil, tanto que o fluxo já derrubou o dólar para abaixo de R$ 1,57.

Antes de receber as informações do Fed, os investidores internacionais se deparam hoje com o rebaixamento da perspectiva do rating do Japão, de estável para negativa, pela S&P. O motivo é a deterioração fiscal gerada pelo terremoto seguido de tsunami que abalou o país no dia 11 de março.

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