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Movimentos no câmbio ficam mais leves na expectativa do G-20

22 de outubro de 2010 | 09h10

A controvérsia e a falta de consenso entre os ministros do G-20 neste final de semana, na Coreia do Sul, deixam pouco espaço a um acordo de cooperação global para o câmbio. Os investidores não esperam uma solução para os desequilíbrios no mercado mundial de moedas e acreditam que o dólar está em tendência de queda dificilmente reversível no curto prazo.

De qualquer forma, como a moeda americana está tão pesadamente vendida, não custa se precaver e aliviar um pouco as posições na expectativa do encontro, preparatório para a reunião de cúpula do G-20 marcada para novembro. Esse foi o movimento que prevaleceu ontem e continua sendo visto hoje em relação ao euro – num dia de transações mais leves no mercado de câmbio internacional.

As informações que já chegam da cidade de Gyeongiu confirmam a falta de esperanças para uma atitude coordenada das autoridades. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, propõe o estabelecimento de metas para déficits e superávits no balanço de pagamentos dos países, com o objetivo de reduzir os desequilíbrios mundiais. Obviamente, o principal alvo é a China.

É claro que a proposta gera resistências e aumenta o clima de discordância entre as lideranças do grupo, em meio à guerra cambial. Países com superávits reagem negativamente. O ministro de Finanças do Japão, Yoshihiko Noda, disse que a ideia é “irrealista”.

A ausência do ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi interpretada no exterior como falta de confiança na possibilidade de o G-20 chegar a um acordo. Ontem, ele recebeu telefonema de  Geithner e ouviu que a política americana não é desvalorizar o dólar.

Fica evidente que o clima de cooperação existente durante o combate da crise financeira mundial desapareceu. Se antes estavam todos no mesmo barco da turbulência econômica, agora a enorme diferença na velocidade da recuperação entre os países dificulta a obtenção de acordos. Enquanto os Estados Unidos partem para mais desaperto como forma de estimular a atividade, os emergentes avançam e se veem obrigados a lutar contra a enxurrada de dólares que recebem.

Nem de longe se espera algo como o lendário Acordo Plaza, fechado em setembro de 1985 pelas cinco maiores economias reunidas no G-5 com o objetivo de desvalorizar o dólar, como resposta aos déficits enfrentados pelos Estados Unidos. “Se o G-20 não chegar a um acerto, o cenário mais provável é que o protecionismo cambial leve os mercados a uma série de desequilíbrios até que os custos econômicos globais forcem uma nova coordenação política”, acredita Lena Komileva, diretora da corretora Tullet Prebon.

O Barclays Capital nota que as políticas monetárias partem para caminhos divergentes pelo globo. O Federal Reserve está prestes a injetar mais recursos na economia, enquanto a China acaba de elevar os juros, ao invés de ter optado pela valorização do yuan para conter a alta dos preços. Na Europa, o Banco Central Europeu se mantém firme como sempre, mas o Banco da Inglaterra considera voltar a adotar estímulos.

Às 9h08 (de Brasília), o euro caía a US$ 1,3913, de US$ 1,3922 no fechamento de ontem em Nova York, enquanto a libra voltada a US$ 1,5692, de US$ 1,5706. Na comparação com a moeda japonesa, o dólar cedia para 81,23 ienes, de 81,35 ienes na véspera.

No mesmo horário, o petróleo mostrava leve ganho de 0,60%, para US$ 81,04. As bolsas de Londres (-0,32%), Paris (-0,09%) e Frankfurt (-0,07%) recuavam.

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