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Na defesa, investidor externo joga expectativa sobre Bernanke

27 de agosto de 2010 | 09h04

O presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), Ben Bernanke, carrega nos ombros hoje todas as pesadas expectativas dos investidores globais. É grande a ansiedade para o discurso da autoridade monetária, diante da crescente percepção de que será preciso voltar a imprimir dinheiro para estimular a economia dos Estados Unidos.

A fala de Bernanke no encontro dos presidentes dos bancos centrais em Jackson Hole, às 11 horas (de Brasília), é de longe considerado o evento mais importante da semana para os mercados internacionais. Todos estão em busca de sinais sobre os próximos passos do Fed, que têm potencial para ditar as estratégias de negócios mundo afora.

A espera é acompanhada da cautela típica desses momentos, regada ainda pelo fraco volume decorrente dos últimos dias de férias no hemisfério norte. Os ativos de risco, como ações e commodities, operam perto da estabilidade nesta manhã.

Entre os economistas, vai se consolidando a visão de que o BC norte-americano terá de agir, pois os indicadores já não deixam mais dúvidas de que a economia está desacelerando e a recuperação fica longe do esperado. O PIB do segundo trimestre, outro destaque da agenda, deve ser revisado em queda de 2,4% para 1,3%, conforme anúncio a ser feito às 9h30.

“Conhecendo a bem documentada atitude de Bernanke de lutar contra a deflação, o mercado está esperando sinais de que o Fed está pronto para dar uma resposta rápida e agressiva”, escreve o estrategista de câmbio do ING, Chris Turner.

É claro que, nesse caso, a grande questão passa a ser o posicionamento dos investidores. Na crise financeira global, a política de compra de títulos do BC norte-americano desencadeou forte busca pelo risco. Conforme Turner, se Bernanke realmente demonstrar que vai agir, o dólar ficará sob pressão renovada.

Para as moedas emergentes, o mais importante será mesmo o comportamento da economia dos EUA, na avaliação da equipe do Barclays Capital. “Nossa análise sugere que não é o desaperto quantitativo que determinará o desempenho das moedas emergentes, mas a magnitude da desaceleração dos EUA.”

Os especialistas do banco inglês lembram que o relativo descolamento dos países em desenvolvimento tende a desaparecer caso a economia norte-americana mergulhe, como aconteceu em 2008.

Apesar de todo o frisson sobre o discurso de Bernanke, existe sempre a chance de decepção. O estrategista do Deutsche Bank em Londres, Jim Reid, coloca um pé atrás, baseado em artigo recente do The Wall Street Journal a respeito das divisões dentro do Fed sobre a adoção de novos estímulos.

Enquanto aguardam, os investidores internacionais adotam postura defensiva,  as bolsas europeias operavam próximas da estabilidade: Londres (+0,12%), Paris (+0,01%) e Frankfurt (+0,02%), às 9h02 (de Brasília), enquanto o petróleo (-0,10%, a US$ 73,43) cedia.

O euro subia a US$ 1,2718, de US$ 1,2724 no fim da tarde de ontem em Nova York. A libra também recuava, a US$ 1,5509, de US$ 1,5530 na véspera. No mesmo horário (acima), o dólar subia a 84,77 ienes, de 84,41 ienes, ainda influenciado pela perspectiva de que o Japão poderá intervir para conter a valorização cambial.

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