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O tudo ou nada da especulação eleitoral

Movimento dos ativos financeiros é potencializado pelas apostas dos investidores no mercado de derivativos

danielamilanese

18 de setembro de 2014 | 11h58

À medida que o primeiro turno da eleição presidencial se aproxima, com o cenário ainda absolutamente indefinido, os movimentos especulativos ganham mais força entre os investidores. Diante de volatilidade expressiva e sem conexão com fundamentos, as oscilações dos ativos são potencializadas pelas apostas no mercado de derivativos.

Em conversas com este blog, diversas fontes relatam a impressão de que o ambiente parece não ter precedentes, nem mesmo durante o período de tensão que antecedeu a eleição de Lula em 2002.

“Os movimentos são extremos e mostram como é binária a expectativa dos investidores para esta eleição”, afirmou um gestor estrangeiro. “Está todo mundo tonto”, disse um profissional.

As ações da Petrobras traduzem muito bem o ambiente. Na terça-feira, os papéis preferenciais da empresa chegaram a disparar mais de 8% no meio do dia, com base puramente em expectativas com pesquisas eleitorais. Na visão do mercado, a estatal tende a ser beneficiada no caso de vitória da oposição com uma administração menos intervencionista e que permita a eliminação da defasagem dos preços dos combustíveis com o exterior.

Nem mesmo a melhora da oposição na pesquisa Ibope/Estadão/TVGlobo, divulgada na noite do mesmo dia, eliminou a percepção de que o movimento com as ações da Petrobras foi exagerado, assim como tantos outros vistos nos últimos meses.

É evidente que a volatilidade abre oportunidades de ganhos para os investidores e estimula os negócios na BM&FBovespa, especialmente quando são potencializadas as possibilidades no mercado futuro. E não significa que os apostadores necessariamente perderão em caso de vitória do governo nesta eleição, embora torçam para o contrário.

Bancos de investimento ofereceram a fundos operações capazes de extrair ganhos nos dois cenários: tanto na vitória de Dilma Rousseff quanto na de Marina Silva. A aquisição de opções de compra e de venda de Petrobras a preços diferenciados é um exemplo de transação usada, que permite lucrar caso as ações disparem ou despenquem – mas que provoca perdas se os preços ficarem estáveis.

“É uma operação de tudo ou nada”, afirmou Wilber Colmerauer, sócio da consultoria EM Funding, em Londres. “Viramos uma espécie de cassino e muitos venderam ações de outras empresas para brincar de Petrobras.”

Há apostas expressivas que chamam a atenção, como uma posição relevante a descoberto com opções de Petrobras com vencimento em 17 de novembro e preço de exercício a R$ 22,16. A essa altura, é claro que os prêmios estão mais altos e as transações especulativas encareceram.

Mas é curioso reparar que a agitação em torno de pesquisas eleitorais não está concentrada somente no Brasil. O referendo sobre a independência da Escócia, cujo resultado sai na sexta-feira, mexe com a libra desde que a possibilidade de separação do Reino Unido, até então vista como remota, passou a ser apontada nas intenções de voto. “O fenômeno do mercado financeiro com foco em pesquisas de voto não é só do Brasil, pois a Escócia está vivendo um momento parecido”, aponta Colmerauer.

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