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Orçamento vira peça fundamental das eleições no Reino Unido

23 de março de 2010 | 15h44

O orçamento do Reino Unido, a ser anunciado amanhã, se transformou em peça fundamental das eleições gerais no país. No centro dos debates está a forma de administração dos gastos públicos pelo próximo governo, diante do déficit fiscal elevado, hoje perto de 13% do Produto Interno Bruto (PIB). O desafio é conseguir reduzir o rombo sem aniquilar a recuperação econômica nascente.
 
Os dois principais partidos avaliam que será preciso cortar gastos no futuro. A diferença estará nas prioridades escolhidas de cada lado. O Partido Conservador é visto como mais austero para a redução das dívidas. Mas, esse viés pode explicar a recente redução da vantagem nas pesquisas eleitorais sobre o Partido Trabalhista, do primeiro-ministro Gordon Brown.
 
O governo já lançou o objetivo de cortar o déficit pela metade em quatro anos, mas falta dizer como colocará o plano em prática. Brown avalia que uma diminuição expressiva de gastos agora poderá prejudicar a retomada da economia, que ainda engatinha.
 
A diminuição da diferença entre os dois partidos nas pesquisas – agora em torno de seis pontos porcentuais a favor dos conservadores – traz a possibilidade de um Parlamento sem maioria absoluta. Essa perspectiva chegou a causar volatilidade no mercado financeiro, pois tornaria as decisões políticas mais lentas. As eleições ainda não foram convocadas, mas acredita-se que ocorrerão em maio.
 
“Há concordância de que o déficit é muito grande e precisa ser reduzido o mais rápido e sensatamente possível”, dizem Robert Barrie e Neville Hill, analistas do Credit Suisse. “Existe um debate sobre o que isso significa na prática, mas não em princípio.”
 
O orçamento de amanhã, com a estratégia do governo, é aguardado com expectativa. Um dos pontos mais polêmicos é a possibilidade de criação de um novo imposto sobre os bancos, como resposta à crise financeira. Conforme a imprensa britânica, a proposta pode vir vinculada à existência de uma taxação coordenada pelo G-20, como defende Brown.
 
O tema já gerou reação da oposição. O líder do Partido Conservador, David Cameron, surpreendeu no fim de semana ao dizer que irá impor um novo imposto ao setor bancário caso chegue ao poder, mesmo que outros países não sigam esse caminho. A afirmação é vista como uma mudança de discurso, pois os conservadores possuem política mais aliada aos interesses da City londrina.
 
Os últimos números das contas públicas indicam que o governo ganhou algum fôlego. Apesar de ter batido recorde para o mês, os empréstimos líquidos do setor público em fevereiro, de 12,4 bilhões de libras, ficaram abaixo do esperado. Além disso, a receita com impostos do governo subiu 3,6%, para 42,6 bilhões de libras. Analistas avaliam que a volta do crescimento econômico pode explicar o aumento da arrecadação. Após um ano e meio em recessão, o país voltou a mostrar alta do PIB, de 0,3%, no quarto trimestre de 2009.
 
Especialistas acreditam que o governo poderá reduzir as projeções para o déficit. No pré-orçamento, foi feita a projeção de empréstimos líquidos de 178 bilhões de libras neste ano. Diversos bancos avaliam que o valor deve ficar abaixo disso, em torno de 165 bilhões de libras.
 
Alan Clarke, do BNP Paribas, aguarda detalhes sobre a forma de redução dos gastos. Uma possibilidade é a inclusão de economia de 500 milhões de libras com o pagamento de benefícios sociais pelo meio online.
 
O orçamento também pode trazer a criação de um fundo de tecnologia verde de 2 bilhões de libras, para investimentos em projetos com benefícios ambientais, como de energia eólica.

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