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Periferia da Europa traz cautela, mas euro sobe com Alemanha e Fed

30 de setembro de 2010 | 09h36

A Irlanda parte para o resgate do setor bancário, a Espanha é rebaixada e Portugal tenta combater o déficit. Passado o pico da turbulência provocada pela Grécia, países europeus ainda se veem às voltas com os problemas fiscais.
 
Os mercados observam e digerem os acontecimentos com a devida cautela, mas sem sinais de nervosismo intenso. Até porque, a Alemanha continua firme e forte para segurar o euro. A moeda comum segue ganhando espaço sobre o dólar, pois o grande condutor dos mercados atualmente é a perspectiva de mais desaperto monetário pelo Federal Reserve – e não o rescaldo da crise europeia.
 
De qualquer forma, os países periféricos voltam com tudo para as manchetes. Como esperado, o governo irlandês anunciou um novo socorro ao Anglo Irish Bank. A ajuda total à instituição deve ficar em 29,3 bilhões de euros, com a possibilidade de injeção de mais 5 bilhões de euros num cenário de estresse. As autoridades também informaram que o Allied Irish Bank precisará de mais 3 bilhões de euros até o final do ano.
 
Por ora, analistas acreditam que a Irlanda conseguirá resolver seus problemas sozinha, sem ajuda da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI). Mas, como o tema é sensível, segue monitorado no exterior, embora sem ocupar as preocupações centrais neste momento.
 
Quem não escapou do rebaixamento foi a Espanha. O país acaba de perder o AAA também da Moody´s, depois de já ter a nota cortada pela Fitch e S&P. Em meio ao elevado déficit fiscal, não se poderia esperar um movimento diferente da agência de risco.
 
Pressionado pela União Europeia, Portugal terá de adotar medidas mais severas para controlar o endividamento. O governo anunciou ontem à noite cortes nos salários de servidos públicos e aumento de impostos. Eis o duro caminho que a Europa enfrenta, em meio ao descontentamento social, que gera uma série de greves e manifestações pelo continente.
 
Fica cada vez mais evidente a diferença de desempenho entre os países menores e a Alemanha, que segue como a locomotiva da região. Enquanto os periféricos patinam, dados do mercado de trabalho confirmam que a maior economia da região avança. O número de pessoas sem emprego foi reduzido em 40 mil em setembro, o dobro da previsão. O desemprego recuou de 7,6% para 7,5%.
 
Graças à Alemanha e ao Federal Reserve, o euro permanece em trajetória de valorização. A expectativa de novas medidas nos EUA para aliviar a economia, diante dos temores de deflação, impede qualquer reação do dólar. Analistas acreditam, inclusive, que está crescendo a possibilidade de o Japão intervir novamente na moeda, à medida que a cotação se aproxima de 83 ienes, número visto como piso pelo mercado. Mostra de que a economia está sendo afetada pela apreciação cambial é a queda de 0,3% da produção industrial japonesa em agosto, em relação ao mês anterior, bem pior do que a projeção de alta de 1,1%.
 
Como a ação do Fed dependerá do comportamento dos indicadores econômicos, há grande expectativa para o índice de atividade (ISM) amanhã. Antes disso, a agenda de hoje reserva o índice de gerentes de compras de Chicago em setembro (10h45) e a atividade do Fed de Kansas City. Ben Bernanke fala às 11 horas, no comitê bancário do Senado, sobre o projeto de reforma financeira.

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