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Perspectiva de falta de acordo na UE não tira ânimo do exterior

18 de janeiro de 2011 | 09h04

Resultados rápidos e concretos não são o forte da União Europeia, portanto o comportamento não deve ser diferente hoje, ao final do segundo dia de reunião dos ministros de Finanças em Bruxelas. Os investidores internacionais já descartam a ampliação dos recursos reservados a ajudar países em crise, como chegou a ser cogitado.

O elevado endividamento da região continua compondo o cenário de riscos globais, principalmente com a frágil situação da Bélgica e de Portugal. No entanto, os países periféricos conseguiram emplacar leilões de títulos bem-sucedidos nos últimos dias, o que pode ter tirado o sentimento de urgência das autoridades. A perspectiva de falta de acordo na reunião de hoje não tira o ânimo dos mercados internacionais, que inicia o dia com tom positivo.

O tema seguirá como um fantasma pelos próximos meses. O analista-chefe do Dankske Bank, Jens Peter Sorensen, acredita que a volatilidade deve seguir elevada, diante dos sinais mistos emitidos pela Europa.

O euro passou por dias de valorização depois que o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, mostrou preocupações com a inflação na região. Como sempre surpreende pelo conservadorismo, Trichet trouxe a possibilidade de alta dos juros na zona do euro, algo que vinha sendo descartado em razão dos problemas fiscais. Mais uma vez, ele abriu grande diferença em relação à política monetária acomodatícia dos Estados Unidos, outro tema a ser observado de perto pelos investidores globais nos próximos meses.

Enquanto ainda medem o ritmo da recuperação econômica, os EUA recebem a partir de hoje a visita do presidente da China, Hu Jintao. Em mais uma mostra dos contrastes globais exacerbados pela crise financeira, o país asiático busca conter o superaquecimento e a inflação. Junto com os sempre importantes dados sobre a economia chinesa na quinta-feira, quem opera câmbio também observará nos próximos dias qualquer sinal sobre as pressões norte-americanas para que o yuan seja valorizado.

Na América Latina, os países se esforçam para conter a apreciação das moedas, resultado dos fortes fluxos de recursos que procuram rentabilidade mais elevada ao redor do mundo. No Brasil, o Banco Central teve de retomar os leilões de swap reverso. Ao mesmo tempo, possui a tarefa de ajustar o ritmo da economia e deve iniciar novo ciclo de aperto monetário na reunião do Copom amanhã.

Nos mercados internacionais, as bolsas dos EUA reabrem após o feriado de ontem tendo de assimilar a notícia da licença médica do presidente da Apple, Steve Jobs. O índice futuro Nasdaq recuava 0,64% às 9h03 (de Brasília), desempenho que destoa das valorizações registradas pelas bolsas de Londres (+1,11%), Paris (+0,84%) e Frankfurt (+1,02%).

No mesmo horário (acima), o euro era cotado a US$ 1,3393, de US$ 1,3296 no fechamento de ontem em Nova York. O dólar valia 82,44 ienes, de 82,67 ienes. O petróleo cedia 0,05%, para US$ 91,49.

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