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Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

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Petróleo explode e caminha para se consolidar acima de US$ 100,00

24 de fevereiro de 2011 | 08h56

Os preços do petróleo explodem diante da revolução no mundo árabe. As cotações continuam subindo sem pausa e a commodity negociada em Nova York agora caminha para se consolidar acima dos US$ 100,00, com três dígitos pela primeira vez desde o pico de 2008.

O embate entre o ditador Muamar Kadafi e a população que luta pela democracia atinge patamares cada vez mais violentos e alarma a comunidade internacional. Segundo o governo da Itália, mil pessoas já teriam sido mortas na onda de repressão às manifestações.

O derramamento de sangue fez o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, elevar o tom contra Kadafi ontem. Ele disse que prepara uma “série completa” de medidas para impedir que a situação se agrave, sem especificar quais seriam. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, pede que a União Europeia considere a imposição de embargos ao país.

Em entrevista à TV Al Jazeera, o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, disse que a comunidade internacional poderá ter de agir para conter o ditador. Questionado sobre a possibilidade de uma ação militar, afirmou: “Não acho que estejamos nesse estágio ainda”. Apesar das palavras, Cameron levanta muita polêmica ao viajar neste momento para o Oriente Médio com uma delegação de indústrias de armas britânicas – as mesmas que nos últimos anos abasteceram de munição as ditaduras da região.

Temeroso de que também poderá ser atingido por protestos pró-democracia, o governo da Arábia Saudita já toma medidas. Ontem, o rei Abdullah anunciou um pacote de reformas econômicas e sociais estimado em US$ 38,7 bilhões, que inclui subsídios para habitação, auxílio-desemprego, distribuição de recursos à população para compensar a inflação e bolsas para jovens sauditas que queiram estudar no exterior.

O governo da China também tenta barrar manifestações. Segundo o Financial Times, mais de cem ativistas tiveram suas movimentações restritas desde sexta-feira. O advogado de direitos humanos Teng Biao foi chamado pela polícia local no sábado e até ontem à noite ainda não tinha reaparecido, informa o jornal britânico.

Analistas continuam dizendo que a China irá deixar de lado o combate à inflação para priorizar o crescimento nesta fase de revoltas sociais em outras ditaduras. Sem considerar o desejo de liberdade política, o analista Tim Condon, do ING, avalia que o que está por trás do descontentamento no mundo árabe é a incapacidade de os governantes gerarem avanço econômico – não é, portanto, o caso da China. Para ele, o viés é claro: o crescimento será soberano.

“Se você tivesse no comando de um país emergente onde existisse o menor risco de revolta, você estaria muito mais disposto a permitir a alta dos salários e a melhora das condições de vida do que há seis meses”, escreve Jim Reid, estrategista-chefe do Deutsche Bank, em Londres. “Os dias de mão-de-obra mais barata provavelmente ficaram para trás.”

A paralisação de parte da produção de petróleo da Líbia e a possibilidade de que a Arábia Saudita também seja atingida mantêm os investidores no território das incertezas. Às 8h54 (de Brasília), o petróleo WTI subia para US$ 100,840 (+2,79%) e o Brent ia a US$ 114,66 (+3,07%). Analistas acreditam que o ambiente manterá a commodity em cotação mais elevada, pelo menos no curto prazo.

As bolsas de Londres (-0,39%), Paris (-0,41%) e Frankfurt (-1,09%) recuavam.

No mercado de câmbio, o franco-suíço foi escolhido como o porto seguro deste período de turbulência e bateu recorde em relação ao dólar durante as negociações na Ásia. No mesmo horário (acima), valia US$ 0,9253.

O euro continua subindo com as perspectivas de alta dos juros na Europa e ia para US$ 1,3765, de US$ 1,3747 ontem. O dólar operava a 81,80 ienes, de 82,50 ienes na véspera.

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