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Petróleo segue sob o efeito de forte especulação e volatilidade

25 de fevereiro de 2011 | 08h17

O mercado internacional de petróleo passa por intensa volatilidade e especulação diante da revolução no mundo árabe. A semana já vinha num ambiente extremamente tenso, mas o solavanco da commodity trouxe susto ainda maior ontem. Entre operadores, o dia foi classificado como “insano”.

A commodity negociada em Nova York superou US$ 103,00 para depois fechar perto de US$ 97,00. A justificativa de analistas para o recuo foi o compromisso de autoridades da Casa Branca, da Agência Internacional de Energia e da Arábia Saudita com o abastecimento do mercado, pois há reservas suficientes para compensar a queda da produção da Líbia.

Mas, nas mesas de operações o dia foi de muita boataria. A especulação foi tão forte que as bolsas de futuros decidiram elevar as exigências de depósitos de margens aos investidores. A Nymex, que abriga o petróleo do tipo WTI, tomou a medida pela primeira vez desde março de 2009 e a ICE, onde é transacionado o Brent, agiu pela segunda vez na semana.

Os desdobramentos das manifestações no norte da África e no Oriente Médio seguirão ditando o clima dos mercados internacionais nos próximos dias e devem manter a commodity sob pressão. Esperançosos se lembram de que hoje é sexta-feira, coincidentemente dia da queda de Zein-al-Abidin Ben Ali na Tunísia (em 14 de janeiro) e de Hosni Mubarak no Egito (em 11 de fevereiro).

Acuado na capital Trípoli, o ditador Muamar Kadafi segue resistindo à luta pela democracia e continua usando violência extrema para reprimir a população. Já se fala em mais de mil mortos na Líbia. Ontem, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, conversou com líderes da França, da Itália e do Reino Unido sobre as possibilidades que os países do Ocidente têm para lidar com a situação.

As projeções econômicas já começam a passar por alterações diante da disparada do petróleo. O BNP Paribas elevou sua estimativa para o WTI em US$ 13,00, para US$ 102,00 neste ano, em média. Como resultado, a previsão para a inflação nas economias desenvolvidas teve aumento entre 0,3 e 0,5 ponto porcentual.

A perspectiva de mais pressão inflacionária é o primeiro efeito da alta do petróleo – tanto que, no Brasil, o mercado de DI passou a precificar um aumento maior dos juros. Há também receio sobre o impacto na economia mundial, já que os países desenvolvidos acabam de engatar uma recuperação tardia. Para o Deutsche Bank, a cotação de US$ 120,00 é considerada o ponto de inflexão para a atividade global.

Os mercados estão tão sensíveis com os últimos acontecimentos que praticamente se esqueceram das eleições na Irlanda. As pesquisas indicam a liderança do partido Fine Gael, seguido pelo Partido Trabalhista, ambos desbancando o atual governo do Fianna Fail.

Analistas acreditam que o novo governo tentará renegociar o acordo fechado com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Os dois partidos que lideram a disputa defenderam durante a campanha que os investidores também devem arcar com os custos da recapitalização do sistema bancário. Como os problemas fiscais da periferia da zona do euro seguem presentes, é bem capaz que o tema ressurja como preocupação dos mercados.

A agenda de indicadores anda sem o menor potencial para direcionar os investidores. De qualquer forma, hoje sai a revisão do PIB dos Estados Unidos do quarto trimestre (às 10h30, de Brasília) e a leitura final do índice de fevereiro da confiança do consumidor de Michigan (às 12h). Importante aqui é ver se o avanço do petróleo já começa a mexer com a perspectiva dos consumidores. Pelos cálculos do Deutsche Bank, uma alta de US$ 10,00 no preço da commodity significa um gasto adicional de US$ 25 bilhões para as famílias norte-americanas com a conta de energia.

Sem desgrudar um segundo dos desdobramentos da revolução no mundo árabe, os investidores do mercado de ações conseguem respirar um pouco nesta sexta-feira. Às 8h16 (de Brasília), as bolsas de Paris (+1,10%) e Frankfurt (+0,43%) subiamemente. A Bolsa de Londres parou de funcionar logo após a abertura, quando tinha ganho de 0,24%.

O petróleo, entretanto, voltou a avançar. O WTI tinha alta de 0,47%, para US$ 97,75, e o Brent, de 0,43%, para US$ 111,84.

No mesmo horário (acima), o euro valia US$ 1,3789, de US$ 1,3799, enquanto o dólar era cotado a 81,88 ienes, de 81,89 ienes.

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