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Piora nos conflitos faz petróleo subir e injeta cautela no exterior

21 de fevereiro de 2011 | 09h06

O agravamento dos conflitos no norte da África e no Oriente Médio faz o preço do petróleo disparar no mercado internacional e injeta cautela entre os investidores no exterior. Ao longo do final de semana, confrontos e manifestações ocorreram na Líbia, Bahrein, Iêmen, Marrocos e Argélia contra as ditaduras da região.

Houve escalada da violência pelas ruas da Líbia, onde as forças de segurança abriram fogo contra a população na cidade de Benghazi. Os protestos também chegaram à capital Trípoli. Segundo a organização Human Rights Watch, somam 233 os mortos em consequência da repressão no país.

O filho do ditador Muammar Kadafi, Saif Al-Islam, elevou o tom num pronunciamento pela TV ontem à noite e disse que há risco de guerra civil. “Nós vamos lutar até o último minuto, até a última munição”, afirmou o filho do governante que está há 41 anos no poder.

Até mesmo na China houve convocação online para uma “Revolução Jasmim” que, apesar de aparentemente não ter chamado muito a atenção da população, provocou o aumento do policiamento nas ruas.

Os investidores acompanham com cautela os movimentos geopolíticos. Esta segunda-feira terá a liquidez reduzida pelo feriado do Dia do Presidente nos Estados Unidos. A precaução prevalece apesar da divulgação de indicadores positivos sobre a economia da Europa nesta manhã.

O índice alemão de confiança nos negócios Ifo atingiu o recorde de 111,2 em fevereiro, superando as expectativas. O indicador de atividade industrial da zona do euro subiu para 59 no mês, o mais elevado desde 2000. O número mostrou não apenas a força da Alemanha, mas também “sinais de vida” nos países periféricos, como apontou a Markit, responsável pela compilação dos dados.

Em contrapartida, os resultados também destacam a aceleração dos preços na região. “O risco de um ciclo monetário antes do esperado continua subindo”, anota Ken Wattret, analista do BNP Paribas.

Já na China, a atividade desacelerou, como mostra a preliminar do índice HSBC de atividade industrial, que caiu para 51,5 em fevereiro, de 54,5 em janeiro, o menor em sete meses. O governo continua tentando segurar a inflação no país e na sexta-feira voltou a elevar o compulsório bancário.

A China, aliás, esteve no centro da fogueira durante a reunião dos ministros de Finanças e presidentes dos bancos centrais do G-20. No sábado, depois de muita polêmica e debate, o grupo chegou a um acordo em Paris para tentar resolver os desequilíbrios globais e estabeleceu parâmetros para medir as disparidades econômicas entre os países.

Ficou definido que, do ponto de vista interno, serão usados a dívida pública e o déficit fiscal. Na questão externa, será avaliada a conta corrente, “levando em consideração o câmbio e as políticas fiscal e monetária”. A China conseguiu evitar que o câmbio e as reservas internacionais fossem usados especificamente como um parâmetro de análise de disparidades econômicas.

“Os passos anunciados ainda estão aquém do necessário e continuam vagos”, avalia Lee Hardman, estrategista do Bank of Tokyo-Mitsubishi. De fato, há pontos em aberto que foram deixados para discussão futura.

Às 9h05 (de Brasília), o petróleo WTI avançava 3,57% na Nymex eletrônica, para US$ 89,28. As bolsas de Londres (-0,25%), Paris (-0,71%) e Frankfurt (-0,65%) caíam.

O euro cedia para US$ 1,3677 no mesmo horário, de US$ 1,3695 no fechamento de sexta-feira em Nova York, enquanto o dólar mostrava estabilidade a 83,15 ienes, de 83,14 ienes no final da semana passada.

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