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Polêmica sobre atitude alemã mantém ambiente frágil no exterior

20 de maio de 2010 | 11h21

A polêmica sobre o cerco da Alemanha contra a especulação continua. As implicações da proibição da venda a descoberto de alguns ativos devem guiar os investidores internacionais pelo menos até amanhã, quando o parlamento do país decide sobre o plano de resgate da Europa.
 
Essa votação ganha relevância, inclusive porque está no centro da decisão unilateral da Alemanha, que desagradou à França. No exterior, prevalece a avaliação de que a chanceler Angela Merkel agiu por motivações políticas, com o objetivo de acalmar a opinião pública, francamente contra a ajuda para os países
problemáticos do bloco, e facilitar assim a aprovação do pacote negociado pela União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI).
 
A ajuda de 750 bilhões de euros é vista como fundamental para a recuperação da estabilidade na zona do euro. A atitude não seria, portanto, uma mostra de preocupação com a exposição dos bancos alemães aos títulos da zona do euro.
 
Para Jim Reid, estrategista do Deutsche Bank em Londres, se o movimento da Alemanha permitir a aprovação do plano de resgate, representará uma medida regulatória para o bem, sem que ninguém se dê conta. “Às vezes na história temos essas situações em que ninguém agradece a pessoa que evitou um desastre desconhecido.”
 
O fato é que a medida fragilizou ainda mais o sentimento dos investidores em meio a um cenário já estressado pela crise de dívida soberana na Europa e um potencial novo mergulho na recessão. Hoje, as principais bolsas da região voltam a exibir quedas, depois de iniciarem o dia de lado.
 
A instabilidade segue presente e o clima de apreensão volta a limitar o euro. Ontem, a moeda comum engatou recuperação diante de rumores sobre a possibilidade de intervenção do Banco Central Europeu (BCE).
 
Analistas, entretanto, não acreditam que as autoridades sairão em defesa do euro. O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, afirmou hoje que não vê necessidade de ação imediata para ajudar a moeda comum.
 
Para o analista Jesper Fischer-Nielsen, do Danske Bank, a recuperação repentina vista ontem pelo euro reflete a forte posição vendida dos investidores, que usaram os rumores para realizar lucros.
 
Logo cedo, a chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou que a crise de dívida não irá desmontar a zona do euro. Ela voltou defender o controle dos déficits na região, em pronunciamento feito em Berlim, durante reunião com membros do G-20.
 
Aproveitando esse encontro, o ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, convidou seu par francês, a ministra Christine Lagarde, para discutir o tema da regulação hoje, conforme o Deutsche Welle.
 
A França já havia afirmado ontem que não irá seguir a proibição da venda a descoberto. O anúncio da medida trouxe a preocupação de que outros países poderiam fazer o mesmo – o Reino Unido, por exemplo, não se pronunciou. A União Europeia realiza reunião amanhã sobre o tema, com o objetivo de coordenar as visões das autoridades da região.

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