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Rali abre espaço para acomodação nos mercados internacionais

28 de setembro de 2011 | 10h24

Depois de um rali sobrenatural é de se esperar que os mercados internacionais busquem acomodação hoje. O banho de sangue da semana passada foi substituído por uma súbita disparada de dois dias. Como as justificativas por trás do movimento carecem de fundamentos, fica a constatação de que a volatilidade dá as cartas no ambiente nervoso e instável da crise da zona do euro.

Os investidores se apegaram com facilidade à esperança de que as autoridades estariam dispostas a engatar num novo e consistente plano para ajudar os países em dificuldades e fortalecer os bancos, numa versão europeia do Tarp usado nos Estados Unidos. Mas, sem confirmações ou sinais mais firmes de algo do tipo, essa perspectiva tende a se esfarelar.

“As esperanças se baseiam em especulações, o que deixa a recente melhora da confiança dos investidores num terreno instável, pois os fundamentos praticamente não mudaram desde a semana passada”, avalia Lee Hardman, estrategista do Bank of Tokyo-Mitsubishi.

O ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, já disse que “não faz sentido” colocar mais dinheiro na Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês), porque essa ação poderia ameaçar o rating de crédito AAA de alguns países que contribuem para o fundo.

O “Financial Times” traz informações desfavoráveis mostrando que existem divergências entre os países da zona do euro. Dos 17 membros, sete defenderiam maior participação do setor privado no pacote grego. A Alemanha e a Holanda lideram o movimento por um desconto mais forte na dívida em poder dos credores, enquanto a França e o Banco Central Europeu ainda resistem.

O plano atual embute um calote de 20%. Já existe consenso entre analistas de que esse desconto é insuficiente para ajustar as contas de Atenas e que seria preciso um “haircut” maior – fala-se em 50%.

Esse não é o único obstáculo financeiro no caminho da Grécia. O país ainda negocia com o Fundo Monetário Internacional (FMI) a liberação da sexta tranche do empréstimo tomado no ano passado, de € 8 bilhões, que depende do cumprimento das medidas fiscais. Trata-se de uma verdadeira corrida contra o tempo, porque Atenas só tem como se financiar até o final de outubro. Tudo isso em meio ao caldeirão de insatisfação social trazido pela crise e os dramáticos cortes de gastos.

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