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Reações ao enfraquecimento do dólar dominam mercados antes do G-20

19 de outubro de 2010 | 09h38

Às vésperas da reunião ministerial do G-20, os mercados continuam presenciando reações ao enfraquecimento do dólar pelo globo. O Brasil lidera esse movimento, ao voltar a elevar o imposto sobre o capital estrangeiro para tentar desacelerar o fluxo de recursos. O problema da apreciação cambial atinge diversos emergentes e já surgem preocupações sobre eventuais bolhas.

A queda do dólar é vista como tendência difícil de ser revertida, diante da política ultra acomodatícia do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA). Convencidos de que a autoridade monetária voltará a injetar liquidez na economia, os investidores não dão folga para a moeda norte-americana. Fica espaço apenas para eventuais ajustes conforme o tamanho do programa a ser anunciado pelo Fed, único ponto de dúvida atualmente.

Neste dia de agenda fraca, os mercados internacionais ainda não formaram tendência e o dólar consegue respirar em relação às principais divisas no exterior.

Para Kathy Lien, estrategista de câmbio da corretora GFT, somente uma decisão firme do G-20, com um acordo global para o câmbio, poderia criar um piso para o dólar. No entanto, ela avalia como improvável a possibilidade de acertos de impacto entre os líderes, especialmente dos Estados Unidos e China, onde reside o ponto nevrálgico dos desequilíbrios. “A única coisa que o G-20 provavelmente concordará é com uma oposição à volatilidade do mercado cambial”, escreve aos clientes.

Ontem à noite, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou novo aumento do IOF para as aplicações estrangeiras em renda fixa, de 4% para 6%. Também foi elevado o imposto para o recolhimento de margem na BM&FBovespa, de 0,38% para 6%. As ações se livraram mais uma vez e seguem com taxa de 2%.

O Brasil é o mais ativo no combate à valorização cambial, mas não está sozinho. Diversos países já adotaram medidas para segurar a moeda e agora existe a avaliação de que o próximo pode ser a Índia. O ministro de Finanças do Japão, Yoshihiko Noda, voltou a mostrar preocupação com o iene hoje, levantando a possibilidade de nova intervenção e pedindo que os líderes globais trabalhem juntos para estabilizar o câmbio.

O movimento levanta outros temores. Em artigo de hoje no Financial Times, o analista Peter Tasker, da Arcus Research, diz que a depreciação do yuan traz o risco de criação de uma “gigante bolha de ativos” nos emergentes. O tema vem rondando e começa a ser cada vez mais citado.

O presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, volta a falar hoje, às 18 horas (de Brasília). A agenda de indicadores nos EUA é leve, apenas com as novas construções em setembro (às 10h30). Depois do fechamento dos mercados, sai o resultado do Yahoo!

Às 9h36 (de Brasília), o euro cedia a US$ 1,3888, de US$ 1,3992 no fechamento de ontem em Nova York. A libra era negociada a US$ 1,5824, de US$ 1,5933. O dólar valia 81,52 ienes, de 81,18 ienes na véspera.

No mesmo horário (acima), as bolsas de Londres (-0,22%), Paris (-0,05%) e Frankfurt (-0,01%) estavam próxima das estabilidade, enquanto o petróleo cedia 1,11%, para US$ 82,16.

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