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Recuperação mostra que volatilidade é o nome do jogo no exterior

26 de maio de 2010 | 09h36

De um extremo a outro. Assim vão os mercados nesses novos tempos de crise externa e incertezas. Depois do tremor provocado pela tensão entre as Coreias e as suspeitas sobre o setor bancário espanhol, os ativos internacionais engatam recuperação nesta quarta-feira. Fica claro que a volatilidade é o nome do jogo.
 
É natural que as correções acentuadas levem a oportunidades de compra, como acontece hoje. Mas é sempre difícil saber quando um movimento de redução de risco nas carteiras está esgotado. Não parece ser o caso neste momento, já que permanecem presentes todos os fatores que levaram os investidores a buscar
segurança.
 
Os países europeus buscam colocar as finanças públicas em ordem e partem para um período de austeridade. Depois de Espanha e Portugal, o Reino Unido também anunciou cortes de gastos nesta semana e a Itália aprovou ontem medidas de contenção fiscal.
 
No entanto, há preocupações sobre a possibilidade de um novo mergulho na recessão. A Europa engatava uma recuperação mais acelerada, agora colocada em risco. Essa incerteza sobre o futuro está refletida nos índices de confiança divulgados recentemente.
 
Enquanto os dados de atividade ainda vêm embalados e seguem fortes, a percepção do consumidor começa a balançar. Hoje, o índice alemão GfK de confiança do consumidor recuou de 3,7 em maio para 3,5 em junho, abaixo das projeções.
 
Para o analista Ken Wattret, do BNP Paribas, esse tem sido o foco dos investidores. “Um ‘circuit breaker’ é desesperadamente necessário para quebrar o laço adverso entre o setor financeiro e a economia real, mas de onde ele virá?”, questiona.
 
Nesse ambiente, começam a surgir especulações sobre novas medidas que poderiam ser tomadas pelas autoridades. Segundo o ING, os comentários vão desde uma (improvável) redução de juros pelo Banco Central Europeu (BCE) até a retomada do Linha de Leilão a Termo (Term Auction Facility, TAF) pelo Federal
Reserve. Aposentado meses atrás, o mecanismo buscava fornecer liquidez para as instituições norte-americanas.
 
A reestruturação do setor bancário da Espanha aumentou a preocupação com a saúde do sistema europeu nos últimos dias. Os investidores também acompanham o aperto do cerco regulatório, algo inevitável diante da intensidade da crise e dos fortes estragos causados pelos abusos das instituições financeiras internacionais.
 
A União Europeia propõe hoje a exigência de que os governos do bloco criem fundos para crises bancárias, baseados em impostos diretos sobre as instituições financeiras. A taxação dos bancos também deve ser tema da reunião do G-20 no próximo mês.
 
Ontem surgiu a informação de que o Ministério de Finanças da Alemanha propôs ampliar a proibição de vendas a descoberto para todas as ações e derivativos relacionados ao euro que não são usados para hedge. Essa parece ser uma mostra de que a chanceler Angela Merkel não se sensibilizou com as reclamações de falta de coordenação no grupo, um dos pontos que também afligiram os investidores recentemente.
 
A crise europeia leva o secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, a se reunir nesta quarta-feira com o ministro das Finanças do Reino Unido, George Osborne, em Londres, e com o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, em Frankfurt.

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