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Sem NY e Londres, investidores ficam à deriva

31 de maio de 2010 | 09h23

Sem Wall Street e a City londrina, os investidores ficam à deriva neste último dia de maio, mês que não deixará saudades por marcar o agravamento da crise do euro e o alastramento das tensões para os emergentes. Mas o restante da semana reserva um calendário respeitável, especialmente pelo relatório do mercado de trabalho nos Estados Unidos, na sexta-feira.
 
No capítulo mais recente da turbulência europeia, a Fitch rebaixou o rating da Espanha para AA+ na sexta-feira, trazendo nova pressão para as bolsas em Nova York.
 
Hoje, a bolsa de Madri responde em queda, embora moderada, enquanto as praças da França e Alemanha tocam o terreno positivo, com liquidez restrita pelos feriados nos EUA e Reino Unido.
 
O rebaixamento da Espanha não pode ser considerado uma surpresa. Antes da Fitch, a Standard & Poor’s já havia reduzido a nota de crédito espanhola, no final de junho. Além disso, analistas notam que os títulos do país há tempos não eram mais negociados com preços de AAA.
 
O que chama mesmo a atenção é o momento do corte, logo após a aprovação de um severo programa de ajustes pelo governo da Espanha. É claro que isso só aumenta as críticas em relação às agências de rating.
 
“Com todo o respeito, as agências de rating se provaram novamente um indicador atrasado da crise”, escreve o economista-chefe para a Europa do Goldman Sachs, Erik Nielsen. Para o BNP, foi inesperado o momento do corte do rating, logo após o plano do presidente do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero.
 
O agravamento da crise na Europa continua pesando sobre os indicadores de sentimento. Divulgado nesta manhã, o índice de sentimento econômico da zona do euro escorregou para 98,4 em maio, de 100,6 em abril e abaixo da estimativa (101). A inflação ao consumidor veio dentro do esperado, em 1,6% em maio.
 
Além dos efeitos da turbulência dos mercados sobre a economia europeia, os investidores também acompanharão nos próximos meses os possíveis impactos sobre o resto do mundo. A agenda da sexta-feira desta semana será especialmente importante, com o payroll nos EUA e o PIB preliminar da zona do euro no primeiro trimestre.
 
É quando acontece também o primeiro dia da reunião dos ministros de Finanças do G-20, na Coreia do Sul, com o tema da regulação dos mercados como ponto de destaque da pauta.

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