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Semana começa com aversão ao risco nos mercados internacionais

22 de março de 2010 | 09h40

A política será o principal condutor dos mercados internacionais nesta semana. Os desdobramentos da crise na Grécia, o orçamento do Reino Unido e a reforma da saúde aprovada nos Estados Unidos mexem com as posições dos investidores, já que a agenda de indicadores econômicos não traz informações decisivas.
 
O ambiente está pesado no exterior, após a inesperada alta dos juros na Índia na sexta-feira, que trouxe receios de uma onda de aperto monetário nas economias de rápido crescimento. As bolsas europeias, os futuros de Nova York e as commodities recuam, na típica reação de aversão ao risco.
 
O euro também segue pressionado e não consegue sair da casa dos US$ 1,35. O problema é o mesmo: as incertezas sobre um pacote de ajuda para a Grécia. A Alemanha segue impassível e mantém a avaliação de que o país tem de resolver sozinho a questão do déficit fiscal. Analistas olham com atenção para os vencimentos de títulos no curtíssimo prazo: 8,2 bilhões de euros em 20 de abril e mais 8,2 bilhões de euros em 19 de maio.
 
Nesta semana, os olhares se voltam para a reunião do Conselho Europeu, na quinta-feira e na sexta-feira. Os investidores querem saber qual será a postura dos países do bloco sobre uma eventual ajuda à Grécia. Mas as expectativas não são muito otimistas, já que o Fundo Monetário Internacional (FMI) volta e meia é apontado como possível solução.
 
Conforme Erik Nielsen, do Goldman Sachs, ainda vai demorar ao menos mais um mês para que surja clareza sobre o caso. “É improvável que saia do encontro mais do que um suporte verbal para a Grécia”, avalia. “As diferenças de opinião
permanecem muito grandes para se esperar um suporte financeiro concreto.”
 
Pressão à vista também sobre a libra, à medida que as eleições se aproximam no Reino Unido. A possibilidade de um governo sem maioria no Parlamento gera incertezas no país. Uma peça importante para o processo será o orçamento que o ministro de Finanças, Alistair Darling, apresenta na quarta-feira. O desafio é amenizar o forte déficit público sem cortar gastos vitais às vésperas da eleição.
 
Ontem, o vice diretor-geral do FMI, John Lipsky, alertou que os países ricos devem restringir o endividamento público. Se o déficit for mantido neste nível pós-crise, poderá reduzir o potencial de crescimento das economias avançadas em 0,5 ponto porcentual por ano, afirmou em Pequim.
 
Nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama conseguiu a maior vitória de seu governo com a aprovação da reforma do sistema de saúde pelo Congresso, ontem à noite. Com um avanço histórico, 32 milhões de americanos hoje sem assistência passam a ter acesso ao atendimento. As mudanças devem reduzir os preços dos serviços médicos, por isso as ações das empresas do setor tendem a passar por ajustes hoje em Nova York, especialmente do setor de seguros e as farmacêuticas.

Os futuros de Nova York cederam com a medida, enquanto o dólar saiu das máximas frente ao euro.

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