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Semana de teste para EUA começa com foco em aquisições e Austrália

23 de agosto de 2010 | 09h02

Mais uma semana de testes para a economia dos Estados Unidos desafia o humor dos mercados mundo afora. O grau da desaceleração da atividade norte-americana continua no topo das preocupações e cada informação será conferida com toda a cautela.

No exterior, onde os investidores ainda aproveitam os últimos dias de férias, os negócios ganham algum ritmo com propostas de fusões e aquisições, sendo que a mais recente é a do HSBC pelo sul-africano Nedbank. Também ajuda a possibilidade de que o imposto australiano sobre as mineradoras seja adiado em razão dos resultados das eleições no país, o que puxa papéis de empresas como BHP Billiton e Rio Tinto.

Em meio a diversos indicadores, o destaque da semana fica com a leitura final do PIB dos EUA do segundo trimestre, na sexta-feira. As projeções apontam que o número deve sofrer forte revisão em queda, de 2,4% para 1,4%.

A sequência de dados desanimadores nos últimos dias consolidou a visão de que a maior economia do mundo anda bem mais devagar do que o esperado. Tanto que os bancos vêm rebaixando as previsões para o PIB dos EUA. O Danske Bank, por exemplo, acaba de reduzir a expectativa de crescimento econômico em 2010 e 2011 para 2,8% e 2,5%, respectivamente, ante a estimativa anterior de 3%.

“A mudança na perspectiva de crescimento aumenta a probabilidade de mais desaperto quantitativo pelo Fed, já que o banco central terá dificuldade de aceitar o desemprego mais elevado”, avaliam os economistas do banco.

A possibilidade de o Fed voltar a imprimir dinheiro para estimular a economia, como fez durante a crise, também se consolida entre os investidores. Mas os economistas seguem descartando um novo mergulho na recessão, apesar de mostrarem preocupações com a falta de velocidade da retomada.

“Esta recuperação está realmente se tornando uma das mais fracas da história”, avalia Jim Reid, estrategista-chefe do Deutsche Bank, alertando que o Fed precisa ficar vigilante.

Depois de um segundo trimestre forte, puxado pela Alemanha, a Europa também vai desacelerando. O índice composto de atividade do setor privado, divulgado agora cedo, caiu de 56,7 um julho para 56,1 em agosto, abaixo do esperado. Analistas acreditam que o crescimento da região já atingiu o pico, estimulado pelas exportações alemãs, e agora embarcará em ritmo mais lento.

O cenário de desaceleração global é um desafio para as commodities, tanto que o petróleo segue abaixo dos US$ 75,00, prejudicado também pelo ambiente de maior aversão ao risco e consequente valorização do dólar.

Ainda na área de matérias-primas, os investidores acompanham os desdobramentos das eleições na Austrália. Neste mundo globalizado, é preciso saber que nenhum partido conseguiu maioria absoluta no parlamento, pela primeira vez em mais de 70 anos, e agora devem começar as conversas para possíveis coalizões – como aconteceu em maio no Reino Unido.

Isso importa porque pode trazer adiamento da taxação das mineradoras, proposta pelo Partido Trabalhista então no poder. O dólar australiano começou os negócios em queda, mas se recuperou com a perspectiva de que uma coalizão poderá adiar ou reduzir o imposto, conforme Boris Schlossberg, da corretora GFT.

Às 9h08  (de Brasília), as bolsas de Londres (+0,92%), Paris (+0,97%) e Frankfurt (+0,49%) subiam. O contrato de petróleo para outubro tinha ganho de 0,38%, para US$ 74,10 o barril.

O euro também subia a US$ 1,2716, de US$ 1,2706 no fechamento de sexta-feira. A libra subia a US$ 1,5549, de US$ 1,5490. O dólar caía para 85,19 ienes, de 85,75 ienes no final da semana passada.

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