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Semana forte no exterior ajuda a clarear perspectivas globais

24 de janeiro de 2011 | 09h07

A primeira reunião do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) do ano, o discurso do presidente norte-americano, Barack Obama, o Fórum Econômico Mundial em Davos e a série de indicadores econômicos e balanços relevantes marcam uma semana forte para os mercados globais. Em meio a tudo isso, reina a suspeita de que a China voltará a elevar os juros antes do Ano Novo Lunar, no início de fevereiro.

Os próximos dias ajudarão a clarear as percepções sobre a recuperação econômica dos países desenvolvidos. Nos emergentes, está evidente que o superaquecimento é o risco da vez e a aceleração dos preços já traz inclusive a ideia de inflação global.

Existem algumas avaliações extremamente otimistas no mercado de que o mundo está prestes a engatar numa nova onda de crescimento simultâneo, motivada pela expansão dos países em desenvolvimento. Os dados mais recentes dos Estados Unidos e da Europa mostram avanços, o que se reflete na melhora do sentimento dos investidores internacionais.

A virada mais impressionante veio do euro, que superou US$ 1,36 na sexta-feira. Até então combalido pela crise de dívida soberana, a moeda marcou uma incomum guinada nos últimos dias. A posição especulativa de 45 mil contratos vendidos no mercado futuro na semana anterior foi revertida para 4 mil contratos comprados.

Comenta-se que o principal motivo é a perspectiva de que os governos aumentarão os esforços para conter a instabilidade fiscal na região, possivelmente elevando os recursos disponíveis para salvar os países em dificuldades. Mas a mudança também coincide com o discurso mais firme do presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, sobre a inflação na zona do euro, atualmente acima da meta de 2%.

Juntamente com as expectativas mais otimistas, ainda convivem as avaliações de que a recuperação econômica no mundo desenvolvido segue muito lenta, com desemprego elevado, mesmo depois de todo o esforço de estímulo dos governos.

Nesse contexto, os investidores acompanham os desdobramentos políticos na Irlanda, resgatada recentemente pela União Europeia e o Fundo Monetário Internacional. Durante o final de semana, o primeiro-ministro Brian Cowen renunciou à liderança de seu partido. Logo depois, o Partido Verde deixou a coalizão do governo.

Nos Estados Unidos, o diagnóstico será dado pela reunião do Fomc, na quarta-feira. Todas as atenções estão voltadas para as avaliações da autoridade monetária sobre o ritmo e a consistência da recuperação econômica. No mesmo dia, o presidente Barack Obama fará o discurso do Estado da União, que apresenta as prioridades do governo para o ano. Para fechar a semana forte, o PIB dos EUA no quarto trimestre sai na sexta-feira.

Com o objetivo de discutir o cenário econômico global, autoridades e especialistas se reúnem no Fórum Econômico Mundial, em Davos, de quarta-feira a domingo.

Os mercados internacionais começam a semana em ritmo morno, exibindo cautela. As bolsas de Londres (+0,24%), Paris (-0,21%) e Frankfurt (-0,54%) mostravam essa tendência às 9h06 (de Brasília).

O euro cedia para US$ 1,3573, depois de fechar em US$ 1,3620 na sexta-feira, em Nova York. O dólar valia 82,79 ienes no mesmo horário, de 82,57 ienes. O petróleo tinha perda de 0,36%, para US$ 88,79 por barril na Nymex.

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