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Sob tensão global, mercados não veem alívio na crise do euro

21 de maio de 2010 | 10h57

Nada parece ser suficiente para dar conforto aos investidores e a tensão está instalada nos mercados mundo afora. Apesar de a Câmara Baixa do Parlamento da Alemanha já ter aprovado o pacote de resgate europeu e de a Câmara Alta, que vota a medida daqui a pouco, provavelmente fazer o mesmo, as bolsas da região continuam caindo forte. Será preciso renovar o fôlego para acompanhar as definições da reunião dos ministros de Finanças da União Europeia, o evento mais importante do dia.
 
O estresse vem escalando de forma rápida. Os problemas da Grécia se espalharam para outros países e agora a tensão ganha característica global, tanto que a Bovespa já acumula queda superior a 10% nos últimos seis pregões.
 
Até agora, as autoridades não conseguiram acalmar os investidores. Ao contrário: a proibição da venda a descoberto pela Alemanha deixou ainda mais explícita a falta de coordenação no bloco e provocou novo golpe sobre o sentimento já fragilizado dos mercados. “O temor de quebra da comunicação entre as lideranças da zona do euro é que conduziu a aversão ao risco”, disse o gestor de emergentes da Aberdeen Asset Managers, Kevin Daly.
 
O assunto será discutido hoje em Bruxelas, em meio ao clima generalizado de aperto regulatório para conter a especulação – tema que não é exclusividade da Europa, pois ontem o Senado dos Estados Unidos aprovou a reforma do sistema financeiro, com restrições aos grandes bancos. Resta saber se os países europeus conseguirão agir de forma coesa e transmitir mensagem de maior segurança.
 
A aprovação da participação alemã no mega socorro de 750 bilhões de euros acertado pela União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) é um passo considerado relevante para a estabilização do bloco. Diversos analistas dizem que a proibição da venda a descoberto foi, na verdade, um movimento da chanceler Angela Merkel para garantir o aval ao pacote.
 
Apesar dos rumores sobre uma possível intervenção para sustentar o euro, analistas continuam céticos sobre a adoção de medidas desse tipo. Vários especialistas dizem que a valorização da moeda comum nos últimos dois dias foi resultado da cobertura das posições vendidas, até então em nível recorde.
 
A aversão ao risco levou os investidores a reduzir a exposição de forma generalizada nos ativos e inclusive a diminuir as posições de venda do euro. O Danske Bank avalia que o movimento de alta recente da moeda comum ilustra os riscos existentes quando todo o mercado está olhando na mesma direção. “Com uma multidão querendo sair pela mesma porta estreita, podemos ver o euro subir mais no curto prazo”, anota o analista-chefe do banco, Jens Peter Sorensen.
 
O ING também acredita na possibilidade de nova valorização do euro como resultado do fechamento de operações de venda e considera uma intervenção “altamente improvável”.
 
“É muito embaraçoso (para um banco central) ser pego comprando euros em público”, diz o economista Paul Donovan, do UBS.
 
Além de toda a turbulência dos últimos dias, também pesa hoje a divulgação de indicadores econômicos desfavoráveis, aumentando o temor de que a Europa possa cair novamente em recessão e afetar outras regiões.
 
O indicador alemão Ifo, de confiança das empresas, marcou 101,5 em maio, abaixo da projeção de 102. O índice de atividade industrial da zona do euro (PMI) recuou para 55,9, também menor do que o esperado (57,5).

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