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Surpresa com déficit da Grécia provoca tensão repentina no exterior

22 de abril de 2010 | 09h54

Tudo caminhava tranquilamente nos mercados internacionais nesta manhã até que o surgimento de novos receios com a Grécia rapidamente espalhou aversão ao risco. Bastou a agência de estatísticas Eurostat anunciar que o déficit fiscal grego é maior do que o calculado inicialmente para as bolsas europeias reverterem os
ganhos e caírem no negativo.
 
O euro volta a sofrer forte pressão, o que prejudica as commodities. Conforme a Dow Jones, o prêmio de risco dos títulos da Grécia atingiu 547 pontos-base em relação ao título alemão equivalente, novo recorde desde a introdução do euro.
 
A reação fulminante dos mercados mostra que o tema continua sensível, em meio ao elevado endividamento público de vários países da Europa. Ontem, começaram as negociações entre o governo grego, a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI), mas o fechamento de um acordo ainda pode levar algumas semanas.
 
Segundo a Eurostat, o déficit fiscal da Grécia foi de 13,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado, e não 12,7% como estimava o governo. Para aumentar as incertezas, a agência disse que tem reservas sobre a exatidão dos dados do orçamento, o que pode levar a novas revisões dos números.
 
Até então, o clima nos mercados internacionais estava leve, ajudado pela visão de que a Europa também engata recuperação econômica e já com o alívio da reabertura dos aeroportos, após o susto provocado pelas cinzas do vulcão islandês – embora as companhias aéreas ainda reclamem dos prejuízos dos últimos dias, estimados em US$ 1,7 bilhão pela Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata).
 
O índice de atividade (PMI) da zona do euro ficou acima do previsto em abril (de 57,3, ante a projeção de 56). No lado corporativo, surpreenderam positivamente as vendas da Nestlé no primeiro trimestre, com crescimento de 4,4%.
 
Tudo levava a crer que a Europa passaria com tranquilidade o bastão para os negócios nos Estados Unidos, onde a temporada de balanços impera hoje com os números da Microsoft, Amazon, Verizon, Pepsico e Continental Airlines.
 
Ontem, enquanto o Brasil descansava no feriado de Tiradentes, as bolsas de Nova York fecharam perto da estabilidade, sem surpresas.
 
Além da situação da Grécia, os investidores também prestam muita atenção nos próximos dias na reunião dos ministros de Finanças do G-20 e do FMI, em Washington. A imposição de impostos sobre os bancos, como forma de repor o dinheiro público gasto para conter a crise, deve ser o grande tema dos eventos.
 
Conforme a imprensa internacional, o fundo vai sugerir que os países do G-20 adotem dois tipos de taxação: uma “contribuição de estabilidade financeira” para arcar com o custo de qualquer futura falência bancária e um imposto sobre atividades financeiras.
 
O FMI também apontou a possibilidade de superaquecimento da economia brasileira e elevou as projeções para o PIB do Brasil, de 4,7% para 5,5% neste ano e de 3,7% para 4,1% em 2011.

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