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Temor de recessão global provoca liquidação de ativos de risco

22 de setembro de 2011 | 11h25

A ordem é clara: reduzir a exposição ao risco. Isso significa que os investidores internacionais estão se desfazendo de ativos emergentes, numa onda de reprecificação motivada pelos temores de recessão global. No ambiente instável gerado pelas dificuldades na Europa e nos Estados Unidos, fica difícil enxergar saída no curto prazo. O Federal Reserve não conseguiu resgatar a confiança dos mercados ao partir para a chamada “Operação Twist” e usar US$ 400 bilhões para alongar o perfil de sua carteira de títulos.

 Ao contrário: a percepção negativa do BC dos Estados Unidos sobre a economia trouxe mais receios. As bolsas europeias caem forte nesta manhã, com perdas de quase 4%. As commodities também enfrentam uma pesada rajada de vendas, incluindo o petróleo e os metais. Somente o dólar se favorece em relação ao euro, à libra e às moedas emergentes – a onda de desvalorização não é exclusividade do real, tanto que o BC da Coreia está intervindo para estancar o declínio do won. “Os investidores estão reduzindo a posição vendida em dólar, enquanto os ativos de risco continuam sendo liquidados”, diz Lee Hardman, estrategista do Bank of Tokyo-Mitsubishi.

A reação dos mercados não deixa dúvidas: a iniciativa do Fed é considera insuficiente para reativar a combalida economia norte-americana. Na avaliação de Julia Coronado, analista do BNP Paribas, a ação do BC norte-americano não tem conseguido eliminar os temores sobre o cenário global. “Os investidores podem sair dos Treasuries e ir para posições em cash se perceberem que o Fed e outras autoridades monetárias não mostram vontade ou ferramentas para ajudar a economia.”

De qualquer forma, os bancos centrais estão se movendo para posturas mais acomodatícias. Está presente a percepção de que o Fed terá de ampliar o arsenal. Enquanto isso, o Banco da Inglaterra flerta cada vez mais com uma nova rodada de alívio quantitativo, o QE2, e o Banco Central Europeu segue comprando títulos da Itália. O Barclays Capital já estima que o BCE partirá para o corte de juros agora em outubro. Além da situação extremamente delicada da Grécia e da zona do euro, o maior risco do momento é de uma nova recessão global.

Na China, a atividade industrial desacelerou, como mostra o índice preliminar dos gerentes de compras medido pelo HSBC, que caiu para 49,4 em setembro, de 49,9 em agosto. E para quem espera por salvação, o melhor evento do dia fica com a reunião dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), em Washington. Quem sabe saia daí alguma proposta para ajudar a Europa.

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