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Tensão entre Coreias acentua turbulência e dispara aversão ao risco

25 de maio de 2010 | 09h45

A tensão entre a Coreia do Norte e do Sul ganha contornos mais graves e acentua a aversão ao risco nos mercados internacionais. No atual ambiente de instabilidade, a troca de acusações entre os dois países asiáticos piora a situação delicada já criada pela crise do euro no exterior.
 
Como resultado, as bolsas europeias seguem o caminho das asiáticas e despencam cerca de 3% nesta manhã, assim como o petróleo e outras commodities metálicas – sinalizando um dia difícil para a Bovespa. Completamente sem forças, o euro derrete, negociado na casa de US$ 1,21.
 
Os temores cresceram após surgir a informação de que a Coreia do Norte ordenou, na semana passada, que as suas tropas fiquem prontas para o combate. O país comunista também acusa a Coreia do Sul de invadir seu espaço marítimo.
 
O motivo do novo confronto é o afundamento do navio de guerra sul coreano no final de março, que provocou a morte de 46 marinheiros. Após investigação, a Coreia do Sul diz que o ataque foi feito pela Coreia do Norte. Como retaliação, Seul suspendeu ontem relações comerciais com o vizinho e agora o declara novamente
como seu “principal inimigo”, expressão que havia retirado em 2004.
 
A escalada da tensão cria mais uma potencial zona de atrito entre Estados Unidos e China, exatamente quando autoridades dos dois países se reúnem em Pequim. Os Estados Unidos afirmaram ontem que irão realizar exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul, “num futuro próximo”. A tropa dos EUA no país, consequência da Guerra da Coreia entre 1950 e 1953, é de 28,5 mil soldados.
 
Resta saber qual será o comportamento da China, aliada, com diversos investimentos e principal parceira comercial da Coreia do Norte. O ministro de Relações Exteriores da China, Jiang Yu, disse hoje que o diálogo é melhor do que o confronto, defendendo a estabilidade na região, conforme a Dow Jones.
 
O confronto na Ásia pega os investidores em um momento delicado. A semana começou com o mal-estar causado pela tomada de controle do minúsculo CajaSur pelo Banco Central da Espanha. A reestruturação dos bancos de poupança do país já estava em curso, tanto que quatro delas fundiram operações ontem.
 
Mas, como o ambiente é turbulento, qualquer informação relacionada ao sistema bancário gera apreensão. Também não ajudou a bronca do Fundo Monetário Internacional (FMI), dizendo que a Espanha precisa reduzir o déficit e que a recuperação econômica do país vai ser “fraca e frágil”.
 
Nesse cenário, não traz alívio a disparada das encomendas à indústria na zona do euro, que subiram 5,2% em março sobre o mês anterior, na maior alta desde junho de 2007.

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