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Tensão sobre dívida dos EUA derruba dólar no mercado global

26 de julho de 2011 | 10h28

Os investidores globais estão descontando no dólar as tensões sobre a dívida dos Estados Unidos. A moeda está sob forte pressão de venda nos mercados internacionais, à medida que crescem as preocupações com a possibilidade de rebaixamento da nota de crédito norte-americana – movimento que também está claramente refletido na valorização do real.

A opção é descartar o dólar e buscar refúgio principalmente no franco suíço e no iene, duas divisas bastante sobrevalorizadas neste momento. Até mesmo o euro tem mostrado vigor surpreendente diante de toda a crise soberana na Europa. As moedas emergentes também são cada vez mais procuradas no atual ambiente de diversificação. Ontem, o dólar caiu para R$ 1,5430, o menor valor desde 18 de janeiro de 1999. A exceção é a lira turca, que está sob pressão devido à piora do déficit em conta corrente do país.

“A fraqueza do dólar parece que vai ultrapassar os fundamentos no curto prazo, já que a questão do teto da dívida está crescendo e pode avançar para o rebaixamento do rating nos próximos meses”, avalia Lee Hardman, estrategista de câmbio do Bank of Tokyo-Mitsubishi. “A preocupação dos investidores de que os EUA poderão perder a nota AAA provavelmente será mais negativa para o dólar do que o evento em si, caso ele aconteça.”

O Congresso dos EUA tem até o dia 2 de agosto para aprovar a elevação do teto da dívida, atualmente em US$ 14,2 trilhões, e evitar assim um default técnico, com consequências devastadoras e imprevisíveis sobre o mundo financeiro. Para isso, democratas e republicanos precisam chegar a um acordo a fim de reduzir e trazer sustentabilidade ao elevado endividamento do país.

Em meio ao impasse e falta de acerto, o presidente Barack Obama fez um pronunciamento ao vivo na TV ontem e pediu apoio do povo norte-americano para que pressione os congressistas. “Façam sua voz ser ouvida, a economia e a vida de milhões estão em jogo”, disse. Mas, o líder da oposição John Boehner afirmou em seguida que não dará “cheque em branco a um governo que promove farra de gastos”.

Analistas e investidores continuam contando com um acordo nos próximos dias. O problema é a dúvida sobre a eficácia de um acerto fechado em cima da hora. Cresce a percepção de que não será possível evitar o rebaixamento do rating mais à frente. “O impasse a respeito dessa saga está se tornando cada vez mais denso e nenhum dos lados quer piscar primeiro”, aponta o Lloyds Bank, em relatório aos clientes.

Depois da berlinda enfrentada no ano passado, o Reino Unido conseguiu se livrar do risco de rebaixamento. Com déficit também considerado problemático, o país estava sob o alerta das agências quando o primeiro-ministro conservador David Cameron assumiu o poder em 2010 e embarcou num forte programa de austeridade fiscal. Para isso, costurou uma aliança pouco usual com a oposição de esquerda do partido Liberal Democrata.

Embora tenha conseguido assegurar o rating AAA, o governo britânico não está livre de polêmica. Os cortes de gastos são considerados severos demais e o país vem sendo palco de manifestações e greves. Além disso, depois da longa recessão, a economia continua estagnada e deve sofrer ainda mais com os efeitos da austeridade. Tanto que o Produto Interno Bruto cresceu apenas 0,2% no segundo trimestre, como divulgado nesta manhã. O casamento real pesou desfavoravelmente, pois trouxe um longo feriado prolongado e afetou a produção, assim como o terremoto no Japão.

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