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Zona do euro vive momento de “ou vai ou racha” com reunião decisiva

21 de julho de 2011 | 11h53

O futuro da zona do euro reside nas decisões a serem tomadas hoje em Bruxelas. Em meio à situação gravíssima, o momento é considerado crucial para a união monetária. A falta de ação firme provocaria grandes estragos nos mercados financeiros globais. Os líderes europeus se reúnem espremidos entre a pressão dos investidores e as dúvidas dos analistas para uma solução sustentável do problema de alto endividamento. A sensação é de “ou vai ou racha.”

A crise escalou para estágio mais perigoso desde que atingiu a Itália, terceira maior economia do bloco. A alta dos yields dos títulos italianos e espanhóis para perto de 6% é vista como preocupante, pois foi nesse estágio que Grécia, Irlanda e Portugal tiveram de pedir socorro externo. Como hoje o mecanismo de resgate não tem recursos suficientes para salvar a Itália, as lideranças precisam estancar o risco de contágio.

Nos últimos dias, as praças europeias construíram forte expectativa de que sairá um acordo para nova ajuda financeira à Grécia, de até 115 bilhões de euros. O ponto mais espinhoso, entretanto, é a participação do setor privado. Diversas alternativas vêm sendo cogitadas e o cenário ainda é fluido, apesar do acerto fechado entre a chanceler Angela Merkel e o presidente Nicolas Sarkozy, após longa reunião ontem.

Não há detalhes sobre as definições fechadas entre os dois. O Financial Times diz que o presidente francês concordou em desistir do plano de imposto sobre os bancos para levantar recursos como forma de ajudar Atenas. Dessa forma, abre-se mais espaço para uma participação ativa dos credores privados, como a troca de dívida por papéis mais longos – leia-se, um default técnico. O presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, participou das discussões.

A visão dos analistas consultados pela Agência Estado é que ainda existem muitas propostas sobre a mesa, sem clareza de qual será o desfecho da reunião de hoje. É possível que as autoridades só tenham tempo para organizar uma solução de curto prazo, sem a garantia de medidas mais amplas de socorro para a zona do euro.

“As conversas mostram que entre as autoridades entendem o quão grave é a situação”, avalia o Credit Suisse. “Mas uma solução para a participação do setor privado não é suficiente para acalmar os temores: ações para estancar o contágio para outros membros também são necessárias.”

Mesmo que a ajuda financeira para a Grécia seja anunciada, ficam as perguntas sobre a sustentabilidade do endividamento do país. É difícil enxergar uma “bala de prata” capaz de dar conta de todos os problemas de uma vez nesta quinta-feira. De qualquer forma, o pior cenário seria novo adiamento das decisões.

“Hoje é o dia em que a União Europeia tem a chance de ganhar uma batalha, mesmo que vencer a guerra se prove muito mais difícil nas próximas semanas, meses e provavelmente anos”, avalia Jim Reid, estrategista-chefe do Deutsche Bank. “Vamos torcer para que eles não decepcionem porque os mercados aparentemente ‘compraram no rumor’ nas últimas 48 horas.”

Depois do avanço dos últimos dias, as bolsas europeias exibem cautela neste dia decisivo e operam em queda, junto com o euro e as commodities. Dados vindos da China atrapalham. A estimativa preliminar do índice de atividade industrial HSBC caiu a 48,9 em julho, de 50,1 em junho – a primeira contração em um ano.

No Brasil, os investidores se ajustam ao comunicado do Copom ontem. Como esperado, o BC elevou os juros em 0,25 ponto porcentual, para 12,5%, mas retirou do comunicado a referência a um processo “suficientemente longo”, indicando que o ciclo de aperto pode ter acabado.

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