Comer já ficou mais caro por causa da alta dos combustíveis

seu bolso

E-Investidor: O passo a passo para montar uma reserva de emergência

As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Comer já ficou mais caro por causa da alta dos combustíveis

Preços de vários alimentos subiram imediatamente após o reajuste do dieesel; alguns outros produtos vão avançar nos próximos meses

Gustavo Santos Ferreira

12 de novembro de 2014 | 18h15

O consumidor brasileiro, principalmente à mesa, já está pagando a conta pela alta dos combustíveis – ele tenha ou não automóvel. Por causa do reajuste de 5% do diesel, boa parte das comidas ficaram imediatamente mais caras desde a última sexta-feira, 7, mostra estimativa da Confederação Nacional do Comércio. Outros produtos, daqui poucos meses, também vão subir pelo mesmo motivo.

>>>> Tomate volta a atacar no IPCA de outubro
>>>> Quem não tem carro também paga a conta

Comer em casa, na média, ficou 0,53% mais caro. Em bares e restaurantes, o custo subiu pouco menos: 0,14%. A alta é puxada, sobretudo, pelas hortaliças e verduras, 1,05% mais caras; e tubérculos, raízes e legumes, que subiram 1,74%. Outros gastos, como o com roupas (0,12%); e o com transporte escolar (0,43%) também já estão mais doídos na carteira.

As frutas ainda demoram um mês para subir 0,52%; cereais, leguminosas e oleaginosas tendem a ficar 0,66% mais caros também em 30 dias contados do reajuste do diesel em diante.

(Vale destacar que esses números consideram apenas a alta causada diretamente pelo reajuste do diesel. Ou seja, caso você tenha percebido encarecimento maior ou menor dos custos, é por interferência de outros fatores. Estas projeções tentam espelhar altas de preços do passado, causadas por outros reajustes do dieesel, e o impacto no preço final à época.)

O economista Fabio Bentes, da CNC, autor do cálculo, explica que o repasse sobre o preços dos alimentos in natura, caso de carne e pães, é imediato pelo fato de fatia considerável dos custos (valor agregado) dos produtores dessa cadeia ser com combustíveis.

Diferentemente de uma máquina de lavar, por exemplo, estocada há meses, os alimentos in natura não ficam tanto tempo estocados. A máquina de lavar comprada hoje, portanto, foi adquirida pelo comerciante sobre outro valor, menor. Nesses casos, demora ainda algum tempo para você sentir no bolso a inflação dos combustíveis. Eletrodomésticos devem ficar 0,22% mais caros só daqui entre 2 e 4 meses. Televisores, aparelhos de som e computadores tendem a subir 0,27% em um mês.  

Como explicado aqui em outra oportunidade, não só quem dirige paga a conta quando o preço dos combustíveis sobe. Todo o tipo de indústria dependente de transporte em estradas sofre alta de custos, repassado ao consumidor. Neuto Gonçalves dos Reis, diretor técnico da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC & Logística), calcula que as empresas de frete já estão cobrando, em média, 1,54% a mais por viagens de 800 km.

É a partir daí, por causa desse porcentual acrescido ao custo do produtor, que está ficando mais caro comer, se vestir, ver tevê, etc. E vai ficar ainda mais quando se concretizarem as novas altas do dieesel esperadas por Reis, no começo do ano que vem. “Pensávamos num reajuste de até 10% do dieesel, mas o restante só vai vir depois”, diz.

Chegando lá, refazemos as contas.

Doeu no bolso? Conte aqui a sua história:

gustavo.ferreira@estadao.com

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: