As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Gastos com educação devem continuar subindo acima da inflação em 2015

Material escolar pode ficar 8% mais caro; mesmo ritmo médio de alta de gastos com alunos tem sido observado neste ano

Gustavo Santos Ferreira

02 Dezembro 2014 | 16h01

Mal chegou ao fim o período escolar de 2014, pais e mães já podem preparar o bolso para 2015. Os gastos com canetas, cadernos e etc. para os filhos devem subir 8% no Brasil no próximo ano letivo – calcula o Sindicato das Livrarias e Papelarias do Distrito Federal. É ritmo de alta semelhante ao já observado neste ano, de acordo com o IPCA, em todo o setor de educação: em 12 meses até outubro, o custeio do ensino subiu 8,29%.

No caso da educação infantil, os custos pularam, na média, 11,95%; do ensino fundamental, 11,01%; e do ensino médio, 10,47%. Cursos diversos ficaram 8,09% mais caros no período.

A alta de preços além da chamada “inflação oficial”, de 6,75% no intervalo, é observada também em outros itens: os uniformes dos alunos ficaram 7,18% mais caros; gastos com leitura, 7,50%; e artigos de papelaria, 10,38%.

Basicamente, o aumento das mensalidades pode ser explicado pela elevação da renda do brasileiro – explica a analista de inflação da Tendências Consultoria, Adriana Molinari. “Mas essa demanda por educação não acompanha a oferta”, diz.

De acordo com o Ministério da Educação, o número de matrículas na rede particular de ensino foi esticado em 21% nos últimos 5 anos. Educação, no entanto, não pode ser importada ou produzida em larga escala rapidamente, como ocorre com parafusos, sofás ou milho para suprir a demanda. De tal forma, havendo aumento na procura superior ao da oferta, sobem os preços e lá eles se mantêm.

>>>> ‘Inflação’ do limão: preços disparam para níveis recordes 

>>>> Comer ficou mais caro por causa dos combustíveis

>>>> Tomate volta a atacar no IPCA de outubro

Por outro lado, elevar a renda significa também elevar gastos com salários. Assim, seja qual for o tamanho do caraminguá a mais que entrar na conta dos funcionários das escolas, mensalidades sofrem impacto.

Sobre o aumento dos custos dos materiais escolares, Adriana vê, além dos efeitos das mudanças na relação oferta/demanda, reflexos de inflação via dólar.

Bens e matérias-primas importadas têm ficado bem mais caros. Para se ter ideia, em novembro do ano passado, cada dólar custava R$ 2,30. Hoje, a cotação beira os R$ 2,60. E, nos cálculos da Tendências Consultoria, alcançará os R$ 2,80 até o fim do ano que vem. Canetas, lápis ou cadernos importados, nessas condições, estão e devem ficar ainda mais caros.

Uma forma de baixar o custo dos materiais escolares, defende a Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares (ABFIAE), passa por diminuição ou eliminação total de impostos.

O presidente do grupo, Rubens Passos, lembra que canetas no Brasil são tributadas em 47%; apontadores e borrachas, em 43%; e cadernos e lápis, em 35%. Passos entende que a mesma isenção tributária do papel para a fabricação de livros deveria ser estendida para os materiais escolares.

“Janeiro e fevereiro, tradicionalmente, são meses em que o orçamento das famílias já está apertado”, diz. “Com o alto custo atual dos materiais escolares, as finanças familiares acabam ainda mais prejudicadas nesta época do ano.”

Isto posto, o blog deseja aos alunos boas férias. E aos pais e mães, boa sorte em 2015.

Doeu no bolso? Reclame aqui com a gente:

gustavo.ferreira@estadao.com