‘Inflação’ do arroz: chuvas no RS elevam em até 10% preço do alimento no Brasil
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‘Inflação’ do arroz: chuvas no RS elevam em até 10% preço do alimento no Brasil

Elevação de custos aos produtores gaúchos, responsáveis por 68% do abastecimento do Brasil, será repassada ao consumidor

Gustavo Santos Ferreira

19 Fevereiro 2015 | 13h06

A chuva, que apenas nas últimas semanas resolveu dar as caras no Sudeste, fez morada no Rio Grande do Sul desde os últimos meses do ano passado – e deve encarecer o arroz, um dos alimentos mais consumidos do País. O repasse do aumento de custos ao produtor pode significar alta de preços nos supermercados de entre 5% e 10% – admite o presidente da Federação das Cooperativas de Arroz do Rio Grande do Sul, André Barreto. de-olho-nos-precos

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Os gaúchos são responsáveis por 68% de todo o arroz à mesa dos brasileiros. Se considerarmos apenas o arroz tipo 1, o mais presente em nossos pratos, essa parcela sobe para mais de 85%. Em 12 meses, até janeiro, seu preço subiu em média 8,03%, acima da inflação de 7,14% no período.

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De acordo com Barreto, desde setembro do ano passado, início da safra, por vezes as chuvas previstas para cair durante um mês despencaram em apenas dois dias. E, embora seja bastante resistente às intempéries climáticas, o arroz é plantado em várzeas – explica o produtor. E tamanho foi o volume d’água a cair que a terra não foi capaz de absorver a chuva. A condição foi propícia à criação de fungos e outras pragas. Tornou-se necessário, assim, elevar investimentos em pesticidas, em boa parte, importados.

Os impactos no bolso do consumidor ao comprar arroz vêm, portanto, da soma desses dois fatores: diminuição de arroz disponível para oferta ao consumidor e compra de produtos químicos encarecidos pela alta do dólar, de mais de 8% só neste ano (cotação do dia 20/2).

Mas o pior já passou, diz Barreto. O executivo observa normalização da situação nos campos do Rio Grande do Sul. Fala em recuperação da safra e fim do período de chuvas atípicas. Dados aferidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reforçam suas palavras. Em documento divulgado nesta quinta-feira, 19, o IBGE prevê alta de 4,3% na safra gaúcha deste ano.

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Ou seja, a situação tende a ser normalizada ao longo do ano: a quantidade de arroz ofertado no Brasil deve atingir seu nível ideal em algum tempo e os preços, por consequência, podem recuar. Mas, até chegar a esse ponto, um dos principais itens da dieta brasileira vai colaborar para encarecer o custo do vida no País.

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