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Inflação do limão: preços disparam para o maior nível da história

Entressafra e seca descontrolam valores do produto; o que se paga hoje pelo quilo de limão bastaria para comprar 5 quilos de feijão

Gustavo Santos Ferreira

14 de novembro de 2014 | 17h18

A-ze-dou (o blog pede desculpas pelo trocadilho, não deu para segurar).

O preço do limão está em disparada. Consumidores têm tirado dos bolsos bem mais que o dobro do que deveriam neste mês para temperar as suas saladas. Normalmente, os valores do quilo do limão flutuam entre R$ 2 e R$ 3. Mas, com muita sorte, pague-se hoje R$ 7 em supermercados e feiras. Nos casos mais drásticos, até R$ 14. É dinheiro bastante para comprar quase cinco quilos de feijão.

Nesta época do ano, de entressafra, a tendência é mesmo de alta – explica a analista de mercado Fernanda Geraldini, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da USP. Mas o nível de preços ao produtor alcançado no último mês é o maior da história. Em outubro do ano passado, cobrava-se R$ 25,84, na média, pela caixa de 27 kg de limão taiti. Em outubro deste ano, R$ 52,84 – alta de 105%.

Mas esse recorde tem vida curta. Levando em conta o que já se pagou pela caixa do limão nas duas primeiras semanas de novembro, a marca será facilmente batida. Entre os dias 3 e esta sexta-feira, 14, a caixa do taiti saiu por R$ 81,13, na média.

A seca, sempre ela, colabora para tamanho exagero. Fernanda explica: os limões que eram para ser colhidos agora e suprir a procura estão muito pequenos. Nessas condições, diz, o agricultor precisa manter os limões mais tempo no pé, para engordarem. O resultado de menos produtos na praça (menor oferta) com o mesmo ritmo de compra (maior procura) é o mesmo de sempre: inflação.

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A puxada nos custos, naturalmente, vai sendo repassada ao consumidor. Apenas em dezembro – e só se São Pedro ajudar – os preços devem voltar para perto do patamar ideal. Até lá, no entanto, a inflação trazida pela alta dos combustíveis já deve afetar também as frutas.

Bem, enquanto isso não acontece, podemos economizar trocando os limões pelo vinagre. Ou, para fazer sucos e batidas, optar por outras frutas. Ou, quem sabe ainda, podemos deixar azedar (desculpe repetir o trocadilho) e morrer com uma graninha a mais nos limões.

De todo modo, a ideia potencialmente mais interessante em meio à inflação do limão é: aumente o volume e espere passar, balançando o corpo ao som do Simonal. 🙂

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