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Por que tudo custa tão caro no Brasil?

Embora a inflação média, de acordo com o governo, esteja sob controle, isso não impede que os preços pareçam estar muito altos

Gustavo Santos Ferreira

30 de setembro de 2014 | 07h00

Dona Maria e Seu José bateram boca dia desses por causa de dinheiro. Na tevê, a presidente garantia: a inflação está sob controle. No sofá, a senhora resmungava ao marido: uma ova, essa presidente não deve fazer compras!

Seu José deu razão à presidente. Ruim era antes, minha querida. A gente ficava sabendo da promoção e, quando chegava lá, tudo custava mais caro. Lembra? 20 anos trás? Pegávamos mais dinheiro no banco e, quando a gente voltava pra comprar nossas coisinhas, tudo já tinha subido ainda mais.

A esposa concordou – mas nem tanto. Eu sei, Zé, tá certo, a vida melhorou. Mas por que tudo parece custar tão caro?

Silêncio na sala de estar. Eles esperaram acabar a novela e foram dormir, sem respostas.

Estivesse com eles, o professor Paulo Paiva, da Fundação Dom Cabral, diria que, “mesmo com inflação relativamente baixa, segundo comparações com experiências passadas, as pessoas podem ter uma percepção de que os preços estão muito caros”.

À essa percepção, diz o professor, damos o nome de carestia. E os dois fatores, inflação e carestia, caminham juntos. Mas uma coisa é uma coisa e outra coisa, como sempre, é outra.

>>> Dólar em alta: o que você tem a ver com isso?

A primeira, a inflação, é uma medida mais objetiva. Está nos índices divulgados na imprensa. Mensura o ritmo médio de alta ou baixa dos preços de um ou mais produtos durante algum tempo que passou. Assim, é possível tentar prever o que está por vir.

A segunda coisa, a carestia, é a sensação positiva ou negativa do consumidor, no presente, em relação aos preços. É quando tiramos uma nota de R$ 5 do bolso, por exemplo, mas já precisamos de duas delas para comprar seja lá o que for.

Ok, valeu, obrigado. Mas e aí? Por que tudo parece custar tão caro no Brasil mesmo?

Bom, as explicações são variadas. Há quem diga que a culpa é do endividamento, que tem corroído parte dos salários e o poder de compra do brasileiro. Ou que é o governo que gasta demais. Ou que a culpa é do olho grande do empresário, que joga os preços lá para o alto. Tem ainda o custo Brasil, a carga tributária, a mão de obra onerosa, o descompasso entre a oferta, baixa, e a demanda, alta, etc, etc, etc e tal. Mas, resposta vai, resposta vem, seguimos nos perguntando, em vão:

Por que tudo custa tão caro no Brasil? (Só até aqui, contando a Dona Maria, já perguntamos três vezes a mesma coisa.)

A pretensão do De olho nos preços não é a de matar essa charada. Mas é ficar, como o nome diz, de olho nos preços. Contaremos histórias, traremos dados, perguntas e algumas respostas que nos ajudem a pensar um pouquinho além do sobe e desce dos índices. E, claro, sempre que possível, queremos ajudar você no que interessa: economizar.

Doeu no bolso? Conte aqui a sua história: gustavo.ferreira@estadao.com

Até mais =)

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